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Mário Ferreira pede para ser constituído arguido após buscas nas suas empresas

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Foto: Carlos Carneiro/Global Imagens

O empresário Mário Ferreira, que detém o grupo Mystic Invest, dono da Douro Azul, requereu ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal que o constitua como arguido, depois de buscas às suas empresas, alegando que "nunca foi ouvido".

Numa carta enviada pelo seu advogado ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e hoje divulgada, Mário Ferreira recordou as buscas de hoje nas "sociedades Pluris Investment, S.A., Mystic Invest, S.A. e Mystic Cruises, S.A.," das quais é "o principal acionista e administrador", acrescentando que, segundo a comunicação social, o comunicado do DCIAP e os mandatos de busca "está em causa mais um processo relacionado com a venda do navio Atlântida".

"Pelo menos desde as buscas realizadas em 29 de abril de 2016, inclusive na sua residência", prossegue a carta, "que a existência destes processos tem sido utilizada por diversas pessoas para, na comunicação social, lançarem suspeitas e, inclusivamente, proferirem verdadeiros atentados contra a honra do requerente [Mário Ferreira], com especial destaque para as afirmações recorrentes da Senhora Dra. Ana Gomes". 

Buscas no Funchal, Porto e em Malta ligadas à venda do ferry Atlântida à Douro Azul

O Ministério Público e a Autoridade Tributária realizaram hoje buscas no Porto, Funchal e ainda em Malta numa investigação sobre a venda de um ferry (navio Atlântida) a uma sociedade com sede em Malta.

Segundo o documento, "desde 2016, o requerente nunca foi ouvido no âmbito de qualquer um destes processos, nem sequer lhe foi dirigido qualquer pedido de informação ou de documentos, nem muito menos lhe foi movido, a si/ou às empresas agora buscadas qualquer processo pela Autoridade Tributária relacionado com a aquisição e posterior venda do navio Atlântida", garantiu.

O empresário diz ainda, segundo a carta, que "sempre se manifestou disponível para colaborar com a Justiça e, embora respeite sem reservas a autonomia e independência do Ministério Público e dos órgãos de Polícia Criminal, não pode deixar de estranhar e lamentar que, desde 2016 até ao presente, se tenha chegado a este ponto e que o seu nome esteja novamente a ser injustamente denegrido na Comunicação Social", sem que, alguma vez tenha "sido chamado a explicar o que quer que seja".

"Por estas razões, por lhe ser intolerável continuar a suportar as ignomínias de que tem sido alvo e continuará a ser e pela responsabilidade que lhe advém dos cargos que ocupa e do papel que assume no tecido empresarial, não resta ao requerente outra alternativa que não a de requerer a sua constituição como arguido", adianta, pedindo às autoridades que tomem "as suas declarações com brevidade". 

"Ao fim de oito anos e desde o surgimento das primeiras insinuações públicas, nunca me foi dada a oportunidade para ser ouvido no âmbito deste processo", diz Mário Ferreira, numa declaração hoje divulgada.

O empresário salienta que esta é uma "situação intolerável e que muito contribuiu para o empolamento deste caso", indicando que dava assim "conhecimento público" da carta esta tarde endereçada pelo seu advogado ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal a manifestar a sua "total e imediata disponibilidade para colaborar com a Justiça, no sentido de esclarecer cabalmente todos os factos que julguem convenientes".

O Ministério Público e a Autoridade Tributária realizaram hoje buscas no Porto, Funchal e ainda em Malta numa investigação sobre a venda de um ferry (navio Atlântida) a uma sociedade com sede em Malta.

 Fonte judicial confirmou à Lusa que uma das empresas alvo de buscas é Douro Azul, do empresário Mário Ferreira, e que em causa está o negócio de compra em 2014 do navio Atlântida aos estaleiros navais de Viana do Castelo e a sua posterior venda no ano seguinte a uma empresa com sede em Malta.

O Grupo Mystic Invest/Douro Azul tinha já manifestado "tranquilidade e total disponibilidade" para esclarecer as autoridades e facultar o "pleno acesso" à documentação e a uma auditoria interna sobre o negócio do navio Atlântida.