Madeira

UMAR Madeira faz vídeo para abordar a saúde mental

A UMAR Madeira assinala o Dia Internacional da Saúde Mental, que se assinala esta segunda-feira, 10 de Outubro, com a divulgação de um vídeo da sua autoria, que contém testemunhos de quatro pessoas que sofreram diversos problemas de saúde mental, e uma profissional de psicologia da Região.

Contamos com a corajosa colaboração de Nélida Aguiar (cuidadora informal), Rute Fernandes (professora), Emanuel Caires (operador de assistência ao cliente) e uma pessoa anónima. Cada pessoa falou um pouco sobre a sua história de vida e o que despoletou graves problemas de saúde mental, como burnout, depressão e ansiedade. Falam-nos de como ultrapassaram, onde pediram ajuda e deixam-nos uma mensagem de esperança. UMAR


O vídeo é encerrado por Nivalda Fernandes, psicóloga clínica, que faz uma análise aos problemas de saúde mental na Região Autónoma da Madeira.

O que diz a UMAR

Porque a Saúde é um Direito Humano, e há sempre uma saída, procurar ajuda é fundamental. Porque os problemas de saúde mental têm que deixar de ser tabu, e serem encarados, tratados e priorizados como qualquer outro problema de saúde.

Os problemas de saúde mental são transversais a ambos os sexos. Sabemos que as mulheres sofrem mais problemas de saúde mental, porque são elas a maioria das vítimas de violência doméstica, são as que mais horas gastam nas tarefas domésticas e perfazem a tal dupla jornada de trabalho, e são muito mais frequentemente as cuidadoras de familiares e dos/as filhos/as. Por outro lado, também sabemos que as mulheres procuram mais ajuda médica para os seus problemas de saúde.

Tudo indica que os indivíduos do sexo masculino têm mais dificuldade em assumir que sofrem de um problema de saúde mental, tendendo a resistir mais a procurar ajuda e a desvalorizar a gravidade dos sintomas. Uma explicação para este fenómeno poderá estar relacionada com os estereótipos de género bem patentes na nossa sociedade, que exigem ao género masculino a tal independência e força, e não transparência das suas emoções, levando a que expressem a sua dor sob a forma de raiva, irritabilidade, impulsividade, agressividade e recorrendo ao uso de substâncias. Por sua vez, são mais os homens que põem fim à sua vida.

Os preconceitos em relação a procurar um profissional de saúde mental, seja da psicologia ou psiquiatria, ou mesmo um terapeuta, apesar de serem menos frequentes do que há alguns anos, ainda existem. E temos conhecimento de casos onde as pessoas não pedem ajuda porque “não estão loucas”, ou porque não querem que a família pense que “perderam o juízo”. E sofrem, muitas vezes em silêncio e disfarçadamente, ao longo do tempo.

Desde tenra idade que a sociedade tenta encaixar as pessoas do sexo masculino e do sexo feminino em determinadas caixas, o que cria, muitas vezes, barreiras a que a verdadeira essência, talentos e personalidade de cada pessoa se expresse duma forma saudável e a vida se desenrole livremente, com escolhas e relações interpessoais também saudáveis. Estes obstáculos estão frequentemente na raiz das violências, sejam entre pares (bullying), no namoro ou doméstica, porque falta muitas vezes trabalhar a empatia, o colocar-se no lugar da outra pessoa. Por sua vez, os problemas sociais, económicos e de saúde (como a pandemia que vivemos), vão surgindo ao longo dos anos e a resiliência para enfrentá-los é também inferior, quando não desfrutamos duma saúde mental equilibrada.

Como tal, é muito importante trabalhar com as crianças e jovens conceitos como a empatia, o respeito pelas diferenças e a consciência das suas próprias emoções, e o programa da UMAR, de prevenção da violência em contexto escolar, o projeto ART’THEMIS+, financiado pela Secretaria de Estado para a Igualdade e Migrações, tem como base os direitos humanos e todos estes conceitos, integrados de forma holística e adaptável a cada turma onde é feita a intervenção.

Muitas vezes, tendemos a separar em secções o que diz respeito a toda a humanidade, mas está tudo interligado. Como tal, é importante trabalhar o autoconhecimento desde tenra idade, assim como a empatia e o respeito por todas as pessoas, consciencializando para valores que estão na base de uma sociedade mais justa e igualitária.