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Ventura aponta "degradação sem precedentes" das instituições

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O presidente do Chega, André Ventura, voltou a defender a demissão do ministro da Administração Interna e considerou que as polémicas que envolvem Luís Neves provocaram uma "degradação sem precedentes" das instituições e da função de governante.

"O que nos trouxe até aqui foi uma degradação sem precedentes das instituições democráticas, uma degradação sem precedentes da função de governante da República e do Governo da República, e uma degradação sem precedentes, ancorada na suspeita severa e grave de uso e manipulação de uma instituição credível e com prestígio incontornável para seu uso próprio, pessoal ou para proteção política", acusou.

Ventura falava na Assembleia da República na abertura da discussão da moção de censura ao Governo que o partido apresentou, centrada nas polémicas em torno do ministro da Administração Interna, e intitulada "Pelo fim de um Governo sem autoridade política, incapaz de assumir responsabilidades e de garantir confiança nas instituições".

O líder do Chega referiu-se às várias polémicas conhecidas nas últimas semanas, que remontam ao tempo em que Luís Neves liderava a Polícia Judiciária, e perguntou ao primeiro-ministro porque mantém o governante em funções, mesmo depois "de ouvir o Presidente da República de forma direta e indireta, apesar do Presidente da República ter deixado claro como água aquilo que pretendia e o desconforto que estava a sentir".

Ventura questionou também diretamente o ministro: "Depois de tudo isto, como é que ainda tem a falta de vergonha de estar sentado na bancada do Governo?".

"Senhor ministro Luís Neves, em nome de Deus, em nome do país, em nome de Portugal, vá-se embora", apelou, argumentando que, além das polémicas, nas áreas de tutela do ministro, "a insegurança aumentou 3,1%, a área ardida foi gigantesca" e o "SIRESP foi mal gerido e continua a ser mal gerido".

O presidente do Chega acusou igualmente o PS de estar "capturado por Luís Neves" e argumentou que o secretário-geral socialista "só não pede a demissão" do ministro da Administração Interna "se estiver tão agarrado como o primeiro-ministro".

André Ventura acusou o ministro de ter uma "atitude de quero, posso e mando" e de "intimar tudo e todos" e salientou que é o ministro "que tem que responder ao Parlamento e tem que responder à democracia".

"Uma espécie de xerife da República capaz de dizer o que se pode fazer e o que não se pode fazer, que fala quando quer e que diz quando quer, que diz aos jornalistas que responderá no seu tempo porque assim quer e que responderá aos políticos quando assim quer", alegou.

Sobre o material químico apreendido que esteve à guarda da empresa de construção que fez obras na Polícia Judiciária e também numa casa do ministro, o líder do Chega defendeu que Luís Neves "sabia que não estava tudo legal e não dá uma resposta cabal sobre isso".

Neste ponto, André Ventura acusou a ministra da Justiça de ter mentido sobre o valor da destruição do material com o objetivo de proteger o colega de Governo.

"É um conluio inadmissível na República Portuguesa", sustentou.

Esta moção tem chumbo anunciado, uma vez que só deverá contar com o voto favorável do Chega.

Na tribuna, a assistir ao debate da moção de censura, está o antigo primeiro-ministro e presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes.