SPM alerta para início difícil
Sindicato aponta falta de docentes, dificuldades no Norte, situação do pré-escolar e admite greve
O Sindicato dos Professores da Madeira (SPM) alerta para um início de ano lectivo marcado pela falta de professores e educadores, pelas dificuldades de fixação de docentes nas escolas do Norte, pela situação particularmente preocupante no pré-escolar e pela possibilidade de novas formas de luta, incluindo greve.
Em resposta aos jornalistas, Francisco Oliveira, coordenador do SPM, defendeu que o ano lectivo deveria começar mais tarde, incluindo no pré-escolar e no 1.º ciclo, para permitir uma melhor preparação das escolas. Revelou ainda ter informação de que há estabelecimentos que pediram mais docentes e educadores e não obtiveram resposta.
"Se as escolas não têm todo o número necessário para arrancar o ano lectivo, haverá com certeza repercussões", afirmou, apontando para possíveis dificuldades no funcionamento de algumas turmas e grupos do pré-escolar.
O dirigente sindical alertou também para o aumento do desgaste dos professores e para uma previsível subida das baixas médicas, devido à sobrecarga de trabalho provocada pela falta de docentes. "São aqueles que estão ao serviço que vão ter que garantir" o trabalho em falta, sustentou.
Francisco Oliveira rejeitou, por outro lado, que uma eventual redução do número de professores possa ser justificada por uma diminuição de alunos. Pelo contrário, afirmou que há mais alunos nas escolas da Região, nomeadamente devido à imigração, havendo estabelecimentos onde foi necessário criar novas salas.
As escolas do Norte, segundo o coordenador do SPM, enfrentam maiores dificuldades em fixar professores. A solução não deverá passar pela deslocação de docentes dos quadros do Sul, defendeu, apontando os impactos familiares e financeiros dessa medida.
"Há aqui todo um prejuízo para quem estava a trabalhar próximo da sua residência e tem que ir para o Norte", afirmou, defendendo a vinculação de professores que queiram permanecer nessas escolas.
A situação do pré-escolar é apontada como particularmente preocupante. Francisco Oliveira contestou a possibilidade de passar de duas educadoras por sala para uma e comparou os números de contratação: no ano passado foram contratadas 51 educadoras logo na primeira fase, enquanto este ano apenas três foram contratadas para o Porto Santo.
O dirigente sindical destacou ainda que 27 educadoras dos quadros não ficaram colocadas na primeira fase, considerando que esta situação poderá prejudicar também dezenas de contratadas que necessitam de trabalhar para reunir as condições necessárias à futura vinculação.
Perante a possibilidade de a situação não ser corrigida, o SPM admite endurecer a contestação. Francisco Oliveira lembrou que, em Julho, uma assembleia geral de educadores e professores do 1.º ciclo já mandatou a direcção para avançar com todas as formas de luta necessárias, incluindo uma eventual greve nestes sectores.
Para o pré-escolar, admitiu ainda que poderão surgir "outras formas de luta" em breve, considerando que a situação atingiu um nível particularmente preocupante.