Hotel da Encumeada volta a leilão por 6,5 milhões
Unidade de três estrelas e 50 quartos regressa à venda judicial depois de, em 2025, uma proposta de 5,3 milhões de euros não ter permitido fechar o negócio
O Valley View Hotel Encumeada, na Serra de Água, está novamente à venda em leilão electrónico, desta vez por um valor mínimo de 6,5 milhões de euros. A venda judicial abrange a unidade hoteleira de três estrelas, com 50 quartos, e um conjunto de terrenos que eleva para mais de 25 mil metros quadrados a área global colocada no mercado.
O leilão, iniciado a 22 de Julho, decorre até às 14h30 de 20 de Outubro e está associado ao processo n.º 6097/22.5T8FNC, que corre no Juízo de Execução do Funchal. O valor base está fixado em 7,647 milhões de euros, sendo admitida a venda a partir dos 6,5 milhões.
Trata-se de mais um capítulo de um processo que já levou o hotel ao mercado no ano passado. Em Maio de 2025 chegou a ser apresentada, através de leilão electrónico, uma proposta de 5,3 milhões de euros, mas o negócio não se concretizou.
Segundo noticiou na altura o Funchal Notícias, a proposta ficou aquém do mínimo então estabelecido, de 8,84 milhões de euros. O jornal electrónico revelou ainda que uma avaliação externa, homologada pelo tribunal, atribuía então ao empreendimento um valor de 10,4 milhões de euros.
A comparação com o procedimento actualmente em curso revela uma redução expressiva. O valor mínimo para concretizar a venda passou dos 8,84 milhões referidos em 2025 para 6,5 milhões de euros, uma diferença de 2,34 milhões, equivalente a uma descida de cerca de 26,5%.
Dívida rondava os 2 milhões
O enquadramento financeiro do processo foi também avançado pelo Funchal Notícias. Em Junho do ano passado, aquela publicação dava conta de que a Caixa Económica Montepio Geral tinha cedido à SCALABIS-STC o crédito e os direitos conexos relativos aos montantes em dívida, sendo a cessionária representada em Portugal pela Álgebra Capital.
De acordo com a mesma notícia, o proprietário devia então cerca de 2 milhões de euros ao fundo, embora tivesse a situação regularizada perante as Finanças e a Segurança Social e não apresentasse incumprimento registado no Banco de Portugal. O proprietário encontrava-se, nessa altura, em negociações com instituições bancárias e com o próprio fundo para procurar regularizar a situação financeira.
Apesar da venda judicial, a exploração hoteleira mantinha-se activa. Em Junho de 2025, o proprietário assegurava ao Funchal Notícias que a unidade apresentava uma ocupação próxima dos 90% e que as três salas de restauração tinham reservas até ao final daquele ano e já para os primeiros meses de 2026.
Actualmente, o Valley View Hotel Encumeada continua em funcionamento e a comercializar alojamento, mantendo aberto o seu sistema de reservas. A unidade, situada a cerca de 900 metros de altitude, apresenta-se sobretudo como hotel vocacionado para o turismo de natureza e para quem procura a zona da Encumeada como ponto de partida para caminhadas.
Mais de 25 mil metros quadrados
O lote agora colocado à venda é constituído pelo hotel, implantado num prédio urbano com 8.040 metros quadrados, e por terrenos rústicos com uma área conjunta de 17.115 metros quadrados. Além do prédio misto onde funciona a unidade, são incluídos cinco outros prédios rústicos na Serra de Água.
A descrição associada à venda refere que o empreendimento possui aquecimento central e painéis fotovoltaicos, utilizados para abastecimento do hotel e venda à rede da energia excedente. O imóvel é descrito no processo como estando em “bom estado de conservação”, tendo em conta pavimentos, pinturas interiores e exteriores, instalações sanitárias, cozinha e caixilharias.
O actual leilão começou com um valor de abertura de 3,823 milhões de euros, mas qualquer venda terá de respeitar o mínimo estabelecido de 6,5 milhões. À data da consulta efectuada pelo DIÁRIO, a plataforma apresentava uma licitação de 3.823.530 euros, ainda muito distante do montante necessário para a alienação.
O regresso do Valley View Hotel Encumeada à venda judicial mostra, assim, que as negociações que decorriam em 2025 não impediram a continuação do processo executivo. O que permanece por esclarecer é se a dívida que esteve na origem do procedimento se mantém nos mesmos termos e o que determinou a redução significativa do valor mínimo de venda face ao leilão realizado no ano passado.