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PM cabo-verdiano promete investigação "séria e profunda" a causas do despiste no Fogo

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Foto Agência Cabo-verdiana de Notícias

O Governo cabo-verdiano anunciou hoje uma análise "séria e profunda" às circunstâncias do acidente com um autocarro na ilha do Fogo, incluindo às condições de construção, avaliação e fiscalização das estradas.

"É evidente que a construção de estradas nos interpela a todos. Conhecemos o processo e sabemos como as coisas acontecem nesta terra, sabemos qual é o lugar da avaliação e da fiscalização na sociedade cabo-verdiana. O que falta é agir e tomar medidas concretas e vamos fazê-lo", afirmou o primeiro-ministro, Francisco Carvalho, durante a deslocação à ilha do Fogo, citado pela Agência Cabo-verdiana de Notícias (Inforpress).

O Instituto de Estradas de Cabo Verde deverá deslocar-se ao local do acidente para avaliar as condições da via e as circunstâncias da ocorrência, adiantou o chefe do Governo.

Segundo Francisco Carvalho, a análise deverá considerar as características da estrada, o percurso e as condições de mobilidade, entre outros fatores que possam ajudar a compreender o sucedido e prevenir novos acidentes.

"Este acontecimento não passa de forma nenhuma em branco. Não viemos ao Fogo só marcar presença", afirmou.

O primeiro-ministro disse ainda que o Governo está a recolher informação sobre as condições das estradas para posteriormente tomar decisões "de forma rápida".

Francisco Carvalho defendeu que a atuação do Governo deverá passar por "agir, corrigir, antecipar e prevenir", garantindo que os diferentes aspetos relacionados com a segurança rodoviária serão considerados na avaliação.

Durante a deslocação ao Fogo, o primeiro-ministro participou nos funerais de 18 vítimas, sepultadas hoje, e visitou o local do acidente e afirmou que, neste momento, a prioridade é prestar solidariedade às famílias das vítimas e assegurar o apoio às pessoas afetadas.

"Viemos ao Fogo para trazer um abraço de solidariedade para as famílias, para todos que estão a ser afetados", afirmou, considerando que este é, antes de mais, um momento de "abraço, aconchego e amparo".

O Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, que também esteve hoje na ilha do Fogo para os funerais, defendeu a necessidade de uma investigação às causas do acidente para ver "como tomar medidas e pôr cobro às situações desta natureza".

"É preciso dar conforto e apoio psicológico a todas as famílias, há 25 mortes. Isso constitui uma imensa tragédia, sobretudo porque são jovens e adolescentes que acabam por perder a vida na força da idade e também porque há dezenas de famílias afetadas por esta catástrofe", afirmou José Maria Neves.

O presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Nuías Silva, pediu igualmente uma investigação detalhada para evitar futuros acidentes e enfatizou a necessidade de reforçar as medidas de segurança nas estradas.

O despiste do autocarro causou 25 mortos e 14 feridos, 13 dos quais se mantêm internados no Hospital Regional São Francisco de Assis, segundo o balanço mais recente das autoridades.

De acordo com o ministro da Saúde de Cabo Verde, Lúcio Miranda os feridos internados têm idades compreendidas entre os seis e os 16 anos. Um dos feridos recebeu hoje alta hospitalar.

A maioria das vítimas do despiste são crianças e jovens.

O acidente ocorreu na noite de sábado, quando um autocarro que transportava alunos regressava de um passeio e saiu da estrada, caindo de uma altura de cerca de 30 metros, na localidade de Campanas de Cima, no município de Santa Catarina do Fogo.

O veículo transportava 39 pessoas.