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Madeira

Projecto transforma espaços verdes de bairros sociais da Madeira com plantas endémicas

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A necessidade de intervir nos espaços verdes dos bairros sociais da Madeira e a visão de um jovem estudante de biologia conjugaram-se e deram origem a um projeto que pretende transformar jardins em oásis públicos constituídos por espécies endémicas. Aliás, este projecto já havia sido apresentado na edição impressa de ontem do DIÁRIO.

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O projeto "Jardins+Nossos" foi hoje apresentado, no Funchal, pela empresa pública IHM - Investimentos Habitacionais da Madeira, que identificou a necessidade de "intervir de forma mais profunda e integrada nos espaços verdes" e contou com a ambição de Júnio Jardim, que constatou que os jardins públicos eram compostos predominantemente por espécies invasoras ou exóticas.

"Não faz muito sentido estarmos a dizer que temos de tratar, nas florestas e noutros espaços naturais, o problema das plantas invasoras, quando estamos a plantar propositadamente nos espaços verdes, mesmo que sejam urbanos", apontou o jovem de 21 anos, em declarações à agência Lusa.

Após ter feito esta constatação no Bairro da Nazaré, o maior complexo habitacional público do Funchal, e percebido que era algo transversal à maioria dos espaços verdes públicos, Júnio Jardim começou então a desenvolver a ideia e contactou diversas associações e a IHM.

A ideia foi acolhida com interesse, salientou, e desenvolvida em conjunto com as associações, a IHM e com o Instituto de Florestas e Conservação da Natureza (IFCN), que vai disponibilizar as plantas endémicas.

O projeto-piloto decorrerá num jardim do Bairro da Nazaré que estava a ser ocupado indevidamente, com construções precárias feitas ao longo dos anos, e que foi limpo e preparado para começar a receber as novas espécies.

Serão plantadas árvores como o marmulano, oliveira da madeira, zimbreiro e faia-das-ilhas, assim como outras espécies arbustivas, entre as quais o maçaroco do litoral, gerânios, estreleiras, cabreiras e busto da rocha, destacou Júnio Jardim.

As ações de plantação, que juntarão a comunidade e as associações, estão previstas para os dias 15 e 22 de outubro.

O presidente do conselho de administração da IHM, Leonel Silva, realçou que a ideia é testar a iniciativa neste espaço e alargá-la a outras áreas sob responsabilidade da empresa pública de habitação, nomeadamente nos bairros das Romeiras e da Nogueira.

Este projeto, sublinhou, é também desenvolvido com contactos de sensibilização com a população e resulta da auscultação das necessidades identificadas pelos moradores.

No caso deste jardim, onde tem início o projeto, no Bairro da Nazaré, "criava uma sensação de insegurança nas pessoas" e era "muito fechado", com estruturas e usos indevidos, como depósitos de lixo, referiu.