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Madeira

IA exige “cultura de responsabilidade” nas empresas

José Manuel Rodrigues quer as PME da Madeira preparadas para decidir como e onde utilizar as novas ferramentas tecnológicas

José Manuel Rodrigues no encerramento da sessão pública sobre ‘Sustentabilidade no Empreendedorismo – O processo para a certificação ISO 21401’, promovida pela Direcção Regional de Competitividade, Inovação e Sustentabilidade (DRCIS), no Colégio dos Jesuítas.
José Manuel Rodrigues no encerramento da sessão pública sobre ‘Sustentabilidade no Empreendedorismo – O processo para a certificação ISO 21401’, promovida pela Direcção Regional de Competitividade, Inovação e Sustentabilidade (DRCIS), no Colégio dos Jesuítas., Foto Amílcar Figueira

O secretário regional da Economia, José Manuel Rodrigues, desafiou esta terça-feira as empresas madeirenses a criarem uma “cultura de responsabilidade perante a tecnologia”, defendendo que a rápida disseminação da inteligência artificial (IA) exige mais do que a simples aquisição ou utilização de novas ferramentas.

“Quanto mais a inteligência artificial entrar nas empresas, menos aceitável será a tese de que as decisões tomadas com o seu auxílio são responsabilidade da máquina”, afirmou o governante no encerramento da sessão pública sobre ‘Sustentabilidade no Empreendedorismo – O processo para a certificação ISO 21401’, promovida pela Direcção Regional de Competitividade, Inovação e Sustentabilidade (DRCIS), e que decorreu esta manhã no Colégio dos Jesuítas.

Para José Manuel Rodrigues, “a responsabilidade continua a ter um rosto — e tem um nome: o de quem decide”, numa intervenção em que associou a adopção da IA às questões da protecção de dados, segurança, sustentabilidade e competitividade empresarial.

O secretário regional chamou a atenção para uma particularidade que, na sua perspectiva, distingue a IA das grandes tecnologias das últimas décadas: “entrou nas empresas antes de ter entrado nas estratégias das empresas”. A facilidade de acesso às ferramentas permite que um empresário comece a utilizá-las praticamente de imediato, sem necessidade de investimentos significativos ou de autorização prévia.

Mas essa facilidade também acarreta riscos, sublinhou. “Há uma distância entre ter acesso a uma ferramenta e saber o que fazer com ela — e é precisamente essa distância que se pode tornar decisiva”, afirmou.

O governante lembrou que 86% das empresas da Região são microempresas, que dispõem de menos recursos para testar soluções, contratar especialistas ou corrigir decisões tecnológicas menos acertadas.

José Manuel Rodrigues apontou ainda para a diferença entre Portugal e a média europeia na utilização de IA pelas pequenas empresas: 9,4% em Portugal, contra 17% na União Europeia.

Perante este cenário, defendeu que a política pública deve ajudar as empresas a tomar decisões informadas, sem substituir os empresários na escolha das soluções tecnológicas. “Não para fazer o que compete ao empresário, nem para escolher a ferramenta que cada empresa deve utilizar”, mas para “criar as condições para que uma empresa pequena possa decidir com conhecimento de causa”.

O governante enquadrou esta abordagem na ARIA-Empresas (Agenda Regional de Inteligência Artificial para as Empresas), iniciativa que, segundo explicou, deve partir não da tecnologia disponível, mas do problema que cada empresa pretende resolver. A lógica passa por identificar o problema, avaliar a capacidade da empresa, testar uma solução, medir os resultados e só depois decidir se compensa avançar.

“Uma empresa não ganha competitividade por possuir inteligência artificial”, sustentou José Manuel Rodrigues, explicando que o desafio da Região não é “trazer a IA à Região”, porque ela “já cá está”, mas “trazer à Madeira mais capacidade para decidir o que fazer com ela”.

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José Manuel Rodrigues relembrou ainda a meta traçada pelo Governo Regional de elevar para pelo menos 25% até 2030 a percentagem de PME madeirenses que utilizam inteligência artificial, estimando ganhos de produtividade entre 15% e 20%.

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A essa estratégia juntam-se instrumentos financeiros como a Linha IA PME e a Linha Reindustrializar, integradas num pacote com uma dotação global de 51,4 milhões de euros no âmbito do Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade, criado na sequência da revisão do Plano de Recuperação e Resiliência.

O secretário regional defendeu, contudo, que a adopção tecnológica não pode ser dissociada da sustentabilidade. A IA tem uma dimensão material que envolve “energia, água, equipamento, centros de dados, matérias-primas”, pelo que não basta avaliar os ganhos de eficiência sem considerar os recursos utilizados para os alcançar.

A sessão da DRCIS teve como tema central a sustentabilidade no empreendedorismo e o processo de certificação pela ISO 21401, norma dirigida ao sector do alojamento turístico e que estabelece requisitos para sistemas de gestão da sustentabilidade nas dimensões ambiental, social e económica.