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Madeira

“Vim de um bairro social e tenho muito orgulho nisso”

Vereador do Funchal votou favoravelmente a revisão da Estratégia Local de Habitação

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Luís Filipe Santos defende maior acompanhamento das condições dos moradores

O vereador da Câmara Municipal do Funchal (CMF) Luís Filipe Santos disse, hoje, que tem “muito orgulho” nas suas origens num bairro social, depois de, nos últimos dias, ter sido alvo de críticas e interpretações sobre as posições que tem assumido relativamente à habitação social no concelho.

A declaração surge na sequência da intervenção que fez na reunião de vereação de 10 de Setembro, na qual defendeu um reforço da fiscalização nos bairros sociais, incluindo a reavaliação da situação económica dos beneficiários perante sinais exteriores de riqueza.

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Agora, Luís Filipe Santos procura esclarecer que a sua posição não é dirigida contra os moradores.

“Sei o que significa crescer num bairro social. Sei que nesses bairros vivem pessoas trabalhadoras, famílias dignas, pais e mães que lutam todos os dias para proporcionar uma vida melhor aos seus filhos”, afirmou o vereador, citado em comunicado, acrescentando que o lugar onde uma pessoa nasce ou cresce “nunca pode determinar aquilo que somos ou aquilo que podemos alcançar”.

A declaração surge no mesmo dia em que Luís Filipe Santos votou favoravelmente a revisão da Estratégia Local de Habitação do Funchal 2025-2030. O vereador considera fundamental que o município disponha de uma estratégia para responder às dificuldades no acesso a habitação a custos comportáveis, mas ressalva que o voto favorável não o impede de “questionar, fiscalizar ou exigir respostas”.

Nesse âmbito, aponta os dados constantes da própria estratégia, segundo os quais existiam, em Janeiro de 2026, 3.070 candidaturas à habitação social, das quais 2.812 estavam activas, devidamente instruídas e a aguardar atribuição de habitação.

“São 2.812 agregados à espera de uma resposta”, salienta, considerando que, perante esta procura, a Câmara Municipal do Funchal dificilmente conseguirá responder a todas as necessidades apenas através do actual parque habitacional e das soluções previstas a curto prazo.

É neste contexto que defende um acompanhamento e uma reavaliação periódica das condições económicas, patrimoniais e familiares dos beneficiários de habitação social municipal.

“Fiscalizar não é perseguir. Fiscalizar não é atacar os moradores dos bairros sociais. Fiscalizar é proteger a habitação social, garantir uma gestão responsável do património público e assegurar justiça para quem verdadeiramente necessita de uma casa”, sustenta.

Luís Filipe Santos rejeita ainda que viver num bairro social seja motivo de vergonha ou que os seus moradores devam ser colocados sob suspeita. “A habitação social deve representar dignidade, segurança e protecção para quem dela necessita”, defende.

O vereador conclui que a discussão deve centrar-se na gestão do património habitacional municipal e na resposta às famílias que aguardam por uma habitação. “Esta discussão não é contra quem vive nos bairros sociais. É por quem lá vive, por quem precisa e por quem continua à espera de uma casa”, conclui.