Dormidas na Madeira crescem apenas 1,9%, mas turistas nacionais aumentam 12,3%
No 2.º trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025 revelam que mercado nacional quase equipara-se ao mercado alemão, destronando o britânico do 2.º lugar
A actividade turística da Madeira continuou a crescer no 2.º trimestre de 2026, embora a um ritmo bastante mais moderado. Entre Abril e Junho, o alojamento turístico da Região registou cerca de 3,5 milhões de dormidas, mais 1,9% do que no mesmo período de 2025, enquanto o número de hóspedes aumentou 5,1%, para 718,6 mil. O principal contributo foi dado pelo mercado nacional, que cresceu 12,3%.
Os dados do INE, divulgados hoje ao pormenor para a Madeira pela Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM) revelam, por isso, comportamentos distintos entre os mercados. É que se as dormidas de residentes em Portugal cresceram significativamente, as dos residentes no estrangeiro recuaram ligeiramente, 0,2%.
O mercado nacional representou 18% do total das dormidas na Região e foi o que apresentou maior crescimento entre os principais mercados emissores. Entre os estrangeiros, o mercado alemão manteve-se como o principal, com 18,8% das dormidas e um crescimento de 1,4%. Seguiu-se o Reino Unido, com 14,1%, mas uma quebra de 8,8%.
França representou 9,7% das dormidas (+2,3%), a Polónia 5,8% (-2,5%) e os Países Baixos 5,7%, registando neste caso um crescimento de 9,5%. Estes seis mercados concentraram 72,1% das dormidas registadas na RAM.
Funchal concentra mais de metade das dormidas
O Funchal manteve uma posição dominante na actividade turística regional, concentrando 56,5% das dormidas, cerca de dois milhões entre Abril e Junho. O crescimento homólogo foi, contudo, reduzido: 0,2%.
Na capital madeirense, as dormidas de residentes em Portugal aumentaram 8,8%, enquanto as dos estrangeiros diminuíram 1,4%, mais acentuado do que a média regional.
Já Santa Cruz foi o segundo município com maior número de dormidas, com 393,3 mil, equivalentes a 11,3% do total regional. O crescimento foi de 0,4%, com aumentos tanto no mercado nacional como no estrangeiro.
A maior subida ocorreu na Ribeira Brava, onde as dormidas cresceram 19,5%. O resultado foi impulsionado sobretudo pelo mercado nacional, que aumentou 80,6%, enquanto as dormidas de estrangeiros subiram 'apenas' 10,4%.
Já o Porto Santo apresentou uma realidade distinta da generalidade dos municípios madeirenses. A ilha continua a ser o único município onde o mercado nacional assume uma posição predominante: os residentes em Portugal (com forte contributo dos madeirenses) representaram 70,5% das dormidas, contra 29,5% dos mercados externos.
Hotelaria perde dormidas, alojamento local cresce
Por segmentos, a hotelaria concentrou 64,5% das dormidas, cerca de 2,2 milhões, mas registou uma redução homóloga de 1,8%.
Em sentido contrário, o alojamento local, responsável já por 33,3% das dormidas, cresceu 10,5%. O turismo no espaço rural representou 2,2% e recuou 5,8%.
Os maiores crescimentos entre as categorias de estabelecimentos verificaram-se nos apartamentos turísticos, com mais 9,2%, e nos hotéis de cinco estrelas, com mais 8,3%.
A estada média também diminuiu, passando de 4,51 para 4,37 noites. A redução foi sobretudo determinada pelos mercados estrangeiros, cuja permanência média caiu 3,5%.
Menos ocupação, mas mais receitas
Apesar do abrandamento das dormidas, os indicadores financeiros mantiveram uma evolução positiva. Os estabelecimentos turísticos geraram 255,2 milhões de euros de proveitos totais no 2.º trimestre, mais 6,6% do que um ano antes. Os proveitos de aposento atingiram 184,1 milhões de euros, crescendo 6,5%.
A taxa líquida de ocupação-cama, porém, baixou de 72,8% para 67,5%, enquanto a taxa de ocupação-quarto passou de 83,1% para 78,9%.
O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) atingiu 108,47 euros, mais 3,2% do que no 2.º trimestre de 2025. Foi o segundo valor mais elevado entre as nove regiões NUTS II, apenas atrás da Grande Lisboa, com 124,10 euros.
Na hotelaria, o RevPAR chegou aos 117,03 euros, enquanto o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu 143,73 euros.
Os hotéis de cinco estrelas apresentaram os valores mais elevados, com um RevPAR de 162,78 euros e um ADR de 208,30 euros. As pousadas e quintas da Madeira surgiram na segunda posição, com 151,31 euros de RevPAR e 185,98 euros de ADR.
Cruzeiros e golfe também crescem
A actividade turística na Região registou ainda uma evolução positiva nos campos de golfe e no segmento de cruzeiros.
Entre Abril e Junho foram realizadas 19,5 mil voltas nos três campos de golfe da Madeira, mais 0,8% do que no período homólogo. As receitas aumentaram 5,8%, para cerca de 1,1 milhões de euros.
Nos cruzeiros, os 70 navios que escalaram os portos da Região transportaram 119,1 mil passageiros em trânsito, mais 5,4% do que no 2.º trimestre de 2025. Foram realizadas mais quatro escalas do que um ano antes.