Ciclistas que atirem resíduos para a Mata da Albergaria serão excluídos
Os ciclistas que atirem resíduos para o chão nos 11 quilómetros de ascensão à Mata da Albergaria, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, com restrições em vigor serão expulsos da 87.ª Volta a Portugal em bicicleta.
Expressa num comunicado divulgado hoje, essa é uma das proibições impostas pela organização, a cargo da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) e da empresa Emesports, para a travessia daquela área classificada como Reserva da Biosfera pela UNESCO, desde 2009, que tem merecido os protestos de várias organizações não-governamentais ambientalistas e de associações locais defensoras do património.
"Será absolutamente proibido aos corredores atirar bidões, embalagens de gel ou qualquer outro resíduo para o chão, estando prevista pela organização a exclusão da prova em caso de incumprimento. A medida pretende assegurar que nenhum resíduo resultante da passagem do pelotão permanece numa área de tão elevado valor ambiental", lê-se na nota.
A FPC esclarece ainda que, "após a passagem dos corredores e das viaturas autorizadas", "o troço será ainda percorrido e verificado, procedendo-se à recolha de qualquer eventual resíduo que possa ser encontrado".
Após o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) ter autorizado a passagem da sétima etapa da Volta a Portugal, entre Vieira do Minho e a vila do Gerês (153 quilómetros), pela Mata da Albergaria, mas com interdição ao público, a organização definiu as restrições em vigor para aquela contagem de montanha de primeira categoria, frisando que algumas são inéditas no contexto da prova.
Além da proibição de público e do lançamento de resíduos em 11 dos 12 quilómetros da subida, na primeira metade da tirada, entre o parque de campismo do Vidoeiro e a Portela do Homem, localidade no parque nacional fronteiriça a Espanha, também a caravana associada à corrida vai ser reduzida nesse setor.
As 17 equipas do pelotão podem, cada uma, contar com um veículo de apoio, em vez dos habituais dois, as 25 motos serão reduzidas para 15 e os veículos publicitários serão interditos no seio de uma caravana em que está autorizada a travessia de duas ambulâncias e de 25 viaturas da organização, onde se incluem os carros dos comissários e dois veículos de apoio neutro.
"O objetivo é reduzir ao mínimo indispensável o número de veículos presentes na Mata da Albergaria durante os poucos minutos necessários à passagem do pelotão, assegurando simultaneamente todas as condições de segurança e assistência exigidas por uma competição desta dimensão", justifica a organização, no comunicado.
Quanto à operação de cobertura do evento desportivo, a captação de imagem por meios aéreos -- helicóptero e drones -- será proibida nesse troço, assim como "qualquer amplificação sonora" e a "instalação de estruturas fixas associadas ao prémio de montanha localizado neste setor".
"A passagem da corrida será, desta forma, deliberadamente discreta, reduzindo não apenas a circulação, mas também o ruído e a presença de estruturas habitualmente associadas à competição", acrescenta a nota.
Também a circulação automóvel na área estará condicionada em ambos os sentidos entre as 00:00 e as 18:00 de quinta-feira, circunstância que, no entender da organização, vai evitar a circulação prevista de 600 viaturas, já que a média aproximada de viaturas que cruzaram o local em agosto de 2025 foi de 725 por dia.
Além de acompanhar a tirada, o ICNF vai elaborar um relatório de avaliação, destinado a verificar o cumprimento das condições estabelecidas, adianta a organização.
Contestada por associações como a Quercus e questionada pelo PAN, que já exigiu acesso aos documentos que fundamentaram a autorização da ICNF, a travessia da Mata da Albergaria é, para a FPC, uma oportunidade para chamar a atenção para "o valor excecional" de um património natural e para a "importância da sua preservação".