Salário médio na Madeira sobe 4,2%, mas perde 0,3% em termos reais
A remuneração bruta mensal média por trabalhador na Madeira aumentou 4,2% no 2.º trimestre de 2026, para 1.748 euros, mas ficou 0,3% abaixo em termos reais face ao mesmo período do ano passado, depois de descontado o efeito da inflação. Essa é a principal conclusão dos dados provisórios divulgados hoje pelo INE e regionalizados pela Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM) que mostram que, apesar do aumento nominal dos salários, a evolução do poder de compra foi negativa na Região.
A remuneração regular média subiu 4,7%, para 1.377 euros, enquanto a remuneração base aumentou 4,3%, atingindo 1.320 euros. No entanto, quando considerada a evolução dos preços na Região, a remuneração regular registou um crescimento real de apenas 0,2%, enquanto a remuneração base recuou 0,1%.
É na remuneração bruta total que se verifica a maior perda real: os 1.748 euros médios representam menos 0,3% em poder de compra do que os salários registados um ano antes.
Comparado com a média nacional, o salário médio na Madeira ficou também abaixo do valor registado no conjunto do País. No 2.º trimestre, a média nacional atingiu 1.835 euros, mais 87 euros do que na Região. A diferença corresponde a 4,7% abaixo da média nacional.
A nível nacional, a remuneração bruta total aumentou 5,1% em termos nominais e 1,8% em termos reais, o que significa que os trabalhadores portugueses, em média, registaram uma evolução mais favorável do poder de compra do que os trabalhadores da Madeira.
A comparação com a média nacional deve, contudo, ser interpretada tendo em conta o peso da Grande Lisboa no indicador nacional. A região é a única NUTS II do Continente que, segundo os dados mais recentes dos Quadros de Pessoal, apresenta um ganho médio mensal acima da média nacional, enquanto as restantes regiões, incluindo a Madeira, ficam abaixo desse valor.
Os dados abrangem 111,9 mil postos de trabalho na Região, correspondentes a beneficiários da Segurança Social e subscritores da Caixa Geral de Aposentações de entidades com sede fiscal na Madeira. Este universo representa um crescimento de 2,3% face ao 2.º trimestre de 2025.
Em termos de actividades económicas, os maiores aumentos nominais da remuneração total verificaram-se nas actividades de consultoria, científicas, técnicas e similares, com uma subida de 8,9%. Seguiram-se as "outras actividades de serviços", com um crescimento de 7,3%.
Por dimensão das empresas, os maiores aumentos foram registados nas que empregam entre 100 e 249 trabalhadores, com 7,3%, e nas empresas com cinco a nove trabalhadores, com 6,9%.
No sector privado, a remuneração média aumentou 4,9%. Também se destacaram as empresas de serviços pouco intensivos em conhecimento (+5,8%) e as de baixa tecnologia industrial (+5,6%).
Os números do 2.º trimestre deixam, assim, um sinal distinto sobre a evolução dos salários na Madeira: há crescimento nominal da remuneração, mas este não está a acompanhar totalmente a evolução dos preços, resultando numa ligeira perda real da remuneração média total.