Como lidar com escassez hídrica
Há vários dias que Almada regista uma crise de abastecimento de água, que fez soar os alarmes para a escassez hídrica, que é, cada vez mais, um desafio presente em Portugal. Na Madeira, há poucos dias, dávamos conta de falta de água na zona das Feiteiras, sítio das Ginjas, no concelho de São Vicente.
Francisco José Cardoso , 06 Julho 2026 - 10:08
Neste ‘Explicador’ deixamos recomendações aos consumidores e dicas para poupança de água.
Dados da DECO PROteste mostram que Portugal continua a desperdiçar uma quantidade significativa de água antes mesmo de esta chegar às torneiras dos consumidores. Entre 2013 e 2024 perderam-se cerca de 2 mil milhões de metros cúbicos de água nas redes de abastecimento, o equivalente ao abastecimento anual de cerca de 30 milhões de pessoas. Todos os anos desaparecem aproximadamente 166 milhões de metros cúbicos de água já captada, tratada e transportada, representando um desperdício ambiental, económico e financeiro.
Agência Lusa , 02 Julho 2026 - 13:54
Embora o investimento nas infraestruturas seja indispensável, os consumidores também podem adoptar pequenas medidas capazes de reduzir significativamente o consumo de água e contribuir para uma utilização mais eficiente deste recurso que é escasso e precioso. Segundo a DECO, uma pessoa pode reduzir o seu consumo diário de água de cerca de 280 litros para aproximadamente 100 litros, recorrendo a equipamentos mais eficientes, como redutores de caudal, chuveiros economizadores e autoclismos de dupla descarga. É uma poupança de cerca de 180 litros por dia, o que equivale a 36 garrafões de 5L.
Entre as principais recomendações destaca-se o privilegiar de duches rápidos em vez de banhos de imersão; o fechar a torneira enquanto se lava os dentes ou ensaboa as mãos; o reparar rapidamente torneiras e autoclismos com fugas, que podem desperdiçar milhares de litros por ano; o reaproveitar a água fria do duche para lavar o chão, abastecer o autoclismo ou regar plantas; o utilizar máquinas de lavar roupa e loiça apenas com carga completa e privilegiar programas ECO; e regar jardins nas horas de menor calor e, sempre que possível, recorrer a sistemas de rega gota a gota.
Rutura corta abastecimento de água em São Gonçalo
Intervenção deverá prolongar-se por cerca de oito horas e afecta vários arruamentos da zona alta da freguesia
Inês Paiva , 09 Julho 2026 - 10:30
Consumidores têm direitos
A DECO PROteste recorda, igualmente, que o abastecimento de água é um serviço público essencial, pelo que as entidades gestoras têm deveres de informação e qualidade de serviço perante os consumidores. Sempre que ocorram interrupções programadas ou situações que afectem significativamente o abastecimento, a comunicação aos consumidores deve ser clara, atempada e transparente, permitindo que as famílias possam preparar-se e minimizar os impactos no seu quotidiano.
Além disso, os consumidores devem verificar cuidadosamente as suas facturas, sobretudo após períodos de interrupção ou anomalias no abastecimento, e reclamar sempre que identifiquem valores que não correspondam aos consumos efectivamente realizados ou qualquer incumprimento dos padrões de qualidade do serviço. A reclamação pode ser apresentada junto da entidade gestora.
Vai faltar água em Câmara de Lobos
Intervenção decorrerá na próxima terça-feira, entre as 09h30 e 12h30
Inês Paiva , 09 Julho 2026 - 16:25
Responsabilidade de todos
Para a DECO PROteste, a crescente escassez hídrica exige uma estratégia nacional assente em três pilares: consumidores mais informados, redes de abastecimento mais eficientes, bem como uma maior reutilização da água. Não basta pedir aos portugueses que reduzam os seus consumos, quando continuam a perder-se milhões de metros cúbicos de água tratada devido ao envelhecimento das infraestruturas, considera.
É necessário acelerar a renovação das redes de abastecimento, reforçar a monitorização das perdas, promover a reutilização de águas residuais tratadas e garantir que os investimentos chegam aos territórios onde são mais necessários. Independentemente do actual nível de escassez, a falta reabilitação de condutas é comum a quase todos os municípios, pelo que a situação de Almada pode repetir-se noutros locais.
Num país onde apenas uma pequena parte dos municípios não enfrenta situações de escassez hídrica, proteger este recurso implica uma responsabilidade partilhada entre consumidores, entidades gestoras e decisores públicos. Só através desta resposta conjunta será possível garantir um abastecimento mais seguro, sustentável e resiliente para todos.