Centro Português transforma-se em ponto de ajuda
O sismo não abalou apenas edifícios. Mudou prioridades. No Centro Português de Caracas, onde habitualmente se vive entre actividades desportivas, culturais e convívio da comunidade luso-venezuelana, a dinâmica deu lugar à solidariedade.
O presidente da instituição, Martim de Abreu, explica que, apesar da violência do abalo, os danos estruturais foram reduzidos. “Graças a Deus, a parte estrutural está bastante bem. Apenas temos um problema num muro de suporte da zona das piscinas, que perdeu as ancoragens. Está estável, mas será reforçado para garantir toda a segurança”, adianta.
Mais do que reparar pequenas avarias, a preocupação passou imediatamente para quem perdeu tudo.
As actividades do Centro Português foram suspensas. A decisão acompanhou a posição dos restantes clubes da comunidade portuguesa na Venezuela, numa demonstração de respeito pelas vítimas e pelas centenas de famílias afectadas.
Em vez de competições, festas ou iniciativas culturais, os espaços passaram a receber caixas de alimentos, medicamentos, roupa, produtos de higiene e bens essenciais.
A recolha humanitária mobiliza dezenas de voluntários, com especial destaque para as damas portuguesas, responsáveis pela recepção, separação e organização dos donativos antes da sua distribuição.
“Estamos a recolher medicamentos, alimentos, produtos de higiene, fraldas, papel higiénico… tudo o que as pessoas necessitam neste momento. Fazemos questão de garantir que a ajuda chega efectivamente ao destino final”, explica Martim de Abreu.
Grande parte do apoio segue para La Guaira, a zona mais devastada pelo duplo sismo, onde milhares de pessoas ficaram sem casa e continuam a depender da ajuda humanitária.
Mas Caracas também beneficia deste esforço solidário. O Centro Português já fez entregas de bens essenciais a uma maternidade da capital e continua a colaborar com a Cáritas, entidade que assegura a distribuição junto das famílias mais vulneráveis.
Num tempo em que muitos perderam quase tudo, o Centro Português de Caracas deixou de ser apenas um espaço de encontro para se transformar num verdadeiro centro logístico de solidariedade.