Entrar hoje numa loja da Central Madeirense já não é apenas ir às compras. Entre os carrinhos de supermercado e as prateleiras abastecidas, multiplicam-se caixas de recolha, cartazes de apelo à solidariedade e funcionários que recebem roupa, produtos de higiene, material médico e equipamentos destinados às zonas mais afectadas pelo duplo sismo.
Foi esse o cenário encontrado pelo DIÁRIO numa das superfícies da cadeia de supermercados criada por empresários madeirenses radicados na Venezuela.
Chegámos para comprar alguns mantimentos destinados às equipas de socorro em La Guaira, mas rapidamente percebemos que a rotina comercial deu lugar a um movimento solidário que se repete em dezenas de lojas espalhadas pelo país.
À entrada, um grande cartaz resume o espírito da campanha: “O nosso país precisa de nós”. A mensagem convida os venezuelanos a contribuírem com medicamentos, material de primeiros socorros, equipamentos para operações de resgate, produtos de higiene pessoal, fraldas, roupa e outros bens essenciais.
A garantia deixada pela empresa é de que todo o material será organizado e entregue directamente às autoridades locais e às zonas mais afectadas, procurando assegurar uma distribuição rápida e transparente.
Ao lado das caixas destinadas à recolha de roupa, outro texto recorda que, por detrás da dimensão da tragédia, existem pessoas concretas.
Fala de mães, avós e crianças que continuam a resistir e lembra que cada donativo representa muito mais do que um bem material: é um sinal de esperança para quem perdeu quase tudo.
A campanha resulta de uma parceria entre a Central Madeirense, a Cáritas Venezuela e a Associação Nacional de Supermercados e Auto-Serviços (ANSA), mobilizando uma rede logística que permite fazer chegar rapidamente os donativos às populações.
Nos corredores da loja, clientes entram para fazer as compras habituais e acabam por acrescentar ao carrinho um pacote de fraldas, produtos de higiene, alimentos ou roupa para entregar à saída.
O gesto repete-se ao longo do dia, transformando um simples supermercado num ponto de encontro da solidariedade.
Dias depois da catástrofe, quando a fase de busca por sobreviventes começa a dar lugar ao longo processo de recuperação, a resposta da sociedade civil continua a crescer.
Empresas, instituições religiosas, organizações não-governamentais e cidadãos anónimos têm multiplicado campanhas de recolha em diferentes estados venezuelanos.
A comunidade luso-venezuelana, profundamente afectada pelo desastre, tem estado entre as mais activas nesta mobilização. Muitos dos empresários madeirenses com actividade no país colocaram as suas estruturas ao serviço da resposta humanitária, utilizando a capacidade logística construída ao longo de décadas para apoiar milhares de famílias.