Turquia detém dezenas de activistas e políticos críticos da NATO
A polícia turca deteve hoje dezenas de ativistas de partidos da oposição e de organizações de esquerda críticos da NATO, no âmbito das medidas rigorosas de segurança que antecedem a cimeira da Aliança Atlântica.
Segundo noticiou o jornal Cumhuriyet, as operações policiais decorreram de madrugada em várias províncias do país.
Os detidos pertencem a diversas formações integradas numa plataforma que, sob o lema 'Não à coordenação com a NATO' [Organização do Tratado do Atlântico Norte, NATO na sigla portuguesa), se opõe à adesão da Turquia ao pacto militar e apelou à realização de protestos contra a cimeira, agendada para os dias 07 e 08 de julho, em Ancara.
Três pessoas, entre elas um dirigente local do Partido Trabalhista (EMEP) e um membro da sua organização juvenil, foram detidas quando as forças de segurança entraram à força nas suas casas, na província de Kocaeli, no noroeste do país.
Além disso, as rusgas ao amanhecer estenderam-se à província de Antália, no sul do país, onde foram registadas detenções de militantes do Partido dos Trabalhadores da Turquia (TIP) e da Juventude Operária, bem como de dois líderes sindicais, segundo noticiou o mesmo jornal.
Por seu lado, a 'Iniciativa de Luta Socialista' denunciou a detenção, hoje, de cinco dos seus membros nas suas residências na província ocidental de Esmirna, sob a acusação de "realizar atividades contra a NATO".
A Associação de Advogados Contemporâneos (ÇHD) exigiu o fim destas detenções generalizadas, que classificou como "políticas", que se vêm sucedendo há vários dias na véspera da cimeira da NATO.
"A nossa presidente da filial de Istambul, a advogada Ezgi Önalan, foi detida numa operação policial realizada na sua residência antes do amanhecer. Além disso, soubemos que muitos dos seus clientes também foram detidos", denunciou a ÇHD, num comunicado publicado hoje nas suas redes sociais.
A organização dos advogados exige "que cessem estas operações políticas destinadas a apresentar à NATO um panorama idílico".
Nos últimos dias, os tribunais turcos colocaram em prisão preventiva 178 dos mais de 220 detidos, no âmbito das medidas preventivas destinadas a garantir a segurança do encontro dos chefes de Estado e de Governo dos 32 países membros da Aliança.
O principal líder da oposição, o social-democrata Özgür Özel, classificou estas detenções como uma "vergonha" e afirmou que "as autoridades estão a dificultar a vida ao seu próprio povo, apenas porque há líderes estrangeiros a participar na cimeira".
"São detenções preventivas, é prisão preventiva. Todos sabem que estas pessoas não cometeram qualquer crime. Todos sabem que serão libertadas assim que Donald Trump partir", afirmou Özel.
Desde o dia 28 de junho que está em vigor em toda a capital turca uma proibição rigorosa de qualquer tipo de manifestação, marcha ou protesto, bem como da exibição de faixas ou da distribuição de panfletos.
Os líderes da NATO reúnem-se a partir de terça-feira em Ancara, para uma cimeira na qual os europeus se deverão comprometer a assumir mais responsabilidades pela defesa do continente, após um ano marcado por tensões com Donald Trump.
A cimeira irá decorrer até quarta-feira no Palácio Presidencial de Ancara, na Turquia, e Portugal estará representado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
De acordo com a agenda oficial da cimeira, vão ser discutidos três assuntos: o investimento em Defesa, o reforço da produção industrial e o apoio à Ucrânia.
No entanto, um dos principais temas desta reunião deverá ser as críticas que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem dirigido aos seus aliados europeus, depois de países como Espanha, Itália ou o Reino Unido terem recusado ceder as suas bases militares para operações ofensivas contra o Irão.