Será que o Funchal só não tem hoje um edifício com mais de 20 pisos por culpa da CMF?
Na altura, alguém na pediu a minha opinião sobre estas torres.
Comentei na altura, que o Funchal sempre teve uma ligação intrínseca com o mar, o nosso anfiteatro parece estar a abrir o seu regaço ao mar. O Forte do Pico, Fortaleza de São João Baptista do Pico, tem uma presença marcante na nossa paisagem urbana, para quem está na cidade do vislumbra, e, mais ainda, para quem chega à nossa cidade pelo mar, é um dos principais ex-líbris urbanísticos da nossa cidade.
Ao realizar aquelas duas torres, como se pode verificar na imagem virtual publicada, o Forte do Pico, deixaria de ter o impacto que ainda mantém, felizmente, seria subalternizado, o que me pareceu, na altura, e ainda hoje me parece, seria um atentado ao nosso património histórico e à nossa história e cultura, onde a arquitetura tem um papel muito importante, pelo legado que deixa para as gerações vindouras.
Podemos modernizar a cidade, mas não de uma modo que amesquinhe a nossa história.
Será possível construir em altura, claro que sim, mas primeiro devíamos procurar outras alternativas.
Por exemplo, quantificar os imóveis devolutos, perceber quantos fogos esses imóveis poderão albergar.
Pensar seriamente na descentralização da nossa Ilha, o Funchal está cada vez mais pressionado e sufocado.
Deveria ser equacionada a possibilidade de se instalar pela Ilha, equipamentos públicos, por exemplo, Secretarias Regionais, que poderiam ser instaladas a este, a norte ou a poente da nossa Ilha, essas secretarias teriam um papel idêntico ao das “lojas âncora” dos centros comerciais, onde têm um papel fundamental para atrair pessoas a esses mesmos centros comerciais.
Poderiam, assim, essas secretarias, ser equipamentos âncora, ter o papel semelhante no incentivo à residência e permanência da pessoas fora do Funchal, à descentralização, o que promoveria uma desaceleração da pressão constante que o Funchal tem vindo a sofrer e que precisa urgentemente de ser aliviada para poder respirar e sobreviver.
Manuel Rosa