"Foi frustrante, para ser sincera", afirma aluna da Escola Jaime Moniz
Após dias de atraso na divulgação das classificações dos exames nacionais, alunos e famílias viveram uma manhã de ansiedade e alívio junto às pautas afixadas
As pautas dos exames nacionais do ensino secundário foram finalmente afixadas na noite de ontem, 17 de Julho, na Escola Secundária Jaime Moniz, no Funchal, pondo fim a vários dias de incerteza para centenas de alunos e respectivas famílias, que só esta manhã puderam consultar as classificações.
No entanto, o alívio não chegou a todos. Apesar da publicação das pautas, prevê-se que um número significativo de estudantes continua sem conhecer a nota do exame, surgindo como 'suspenso' junto à classificação, situação que resulta de provas ainda com itens em falta ou pendentes de validação.
O atraso na divulgação das classificações não foi exclusivo da Madeira, mas igualmente um problema nacional, provocado por dificuldades no novo processo de classificação eletrónica das provas, que levou o Ministério da Educação a alterar o calendário inicialmente previsto para garantir o rigor da correção e divulgação das notas
Atrasos nas notas dos exames dominam manchetes dos jornais nacionais
Os problemas na divulgação das classificações dos exames nacionais marcam as manchetes da imprensa portuguesa deste sábado, com Público, Jornal de Notícias e Correio da Manhã a destacarem centenas de alunos que continuam sem conhecer as respectivas notas devido a falhas no processo de correção e publicação dos resultados.
Na porta da escola, eram vários os estudantes e encarregados de educação que comentavam os resultados. "Tantos suspensos…”, comentava um pai enquanto percorria a lista de classificações.
Houve quem, entre muita angústia, também respirasse de alívio. Claúdia, mãe de um aluno do 12.º ano, admitiu ao DIÁRIO que os últimos dias foram vividos com grande ansiedade. “Foi uma semana muito desgastante. Todos os dias acompanhávamos as notícias e os desenvolvimentos. Agora estamos mais tranquilos, mas alguém tem de ser responsabilizado por isto. Felizmente correu bem e já podemos começar a pensar na candidatura ao ensino superior.”
A demora na divulgação das classificações também gerou transtornos na organização da vida familiar. Uma outra mãe contou ao DIÁRIO que a noite de sexta-feira foi vivida “numa autêntica agonia”, numa tentativa constante de perceber se as notas seriam divulgadas através da plataforma digital. “Estivemos sempre a actualizar a página para ver se apareciam. Acabámos por adiar o início das férias porque não sabíamos quando saíam as notas nem se era preciso voltar à escola. Foi uma situação muito desgastante para todos”, lamentou.
Já Beatriz, aluna da área de Ciências, que concluiu o 12.º ano e terá agora de repetir o exame de Português na segunda fase, depois de obter classificação insuficiente. “Foi um bocado frustrante, para ser sincera”, confessou ao DIÁRIO. “Havia uma data prevista, depois foi adiada, depois nem sabíamos a que horas saíam as notas. Ontem vim cá e ainda não tinham chegado. Foi tudo muito frustrante.” Apesar da desilusão, a estudante garante que vai voltar a tentar. “Agora é preparar a segunda fase e fazer melhor.”
Além das consultas às classificações, o movimento fez-se sentir também junto ao Gabinete do Aluno da escola, onde vários estudantes e encarregados de educação procuravam esclarecer dúvidas relacionadas com os resultados, os pedidos de reapreciação das provas, a inscrição na segunda fase dos exames e os procedimentos para a candidatura ao ensino superior.
O processo de divulgação das classificações deste ano ficou marcado por sucessivos atrasos, na sequência de problemas técnicos na plataforma nacional de classificação electrónica das provas, obrigando o Ministério da Educação a adiar a afixação das pautas e o calendário da segunda fase dos exame.