Activista indiano levado hoje para hospital após 20 dias de greve de fome
Está em sem comer desde 28 de Junho para exigir a demissão do ministro da Educação
O activista indiano Sonam Wangchuk foi levado à força hoje para um hospital após 20 dias de greve de fome em protesto contra o sistema de exames de acesso a Medicina.
Wangchuk, de 59 anos, está em sem comer desde 28 de Junho para exigir a demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, acusado de uma fraude que levou, em maio, à anulação de um exame realizado por dois milhões de candidatos a estudantes de medicina.
De acordo com a imprensa local, essa anulação provocou o suicídio de vários candidatos.
Nas últimas semanas, várias centenas de estudantes juntaram-se a Wangchuk em torno do palco que montou no Jantar Mantar, um monumento da capital, Nova Deli.
"De acordo com as ordens do (...) Supremo Tribunal e por recomendação médica, devido à deterioração do estado de saúde de Sonam Wangchuk, este foi transferido para o hospital para receber os cuidados médicos indispensáveis", declarou o comissário-adjunto da polícia de Deli num comunicado.
Um vídeo gravado em Jantar Mantar mostrou a confusão que reinava entre alguns apoiantes de Wangchuk presentes no local durante a manhã, enquanto agentes da polícia, munidos de lençóis brancos, o retiravam apressadamente do palco.
"Embora cumprissem as ordens (...), os manifestantes tentaram criar obstáculos, o que provocou uma ligeira agitação", acrescenta-se no comunicado.
"Apelamos aos manifestantes presentes em Jantar Mantar para que abandonem o local pacificamente o mais rapidamente possível", lê-se.
Outras manifestações foram organizadas pelo movimento satírico 'online' Partido do Povo das Baratas (CJP, na sigla em inglês), que acabara de surgir nas redes sociais.
Este partido foi fundado por um estudante indiano recém-licenciado pela Universidade de Boston (Estados Unidos), Abhijeet Dipke, em reação às declarações do presidente do Supremo Tribunal contra os jovens "baratas" e "parasitas" que criticam o Governo.
Ecologista de renome, Sonam Wangchuk é o mais destacado dos grevistas de fome. Libertado em março, após seis meses de detenção por se ter manifestado a favor da autonomia da região himalaia de Ladakh, juntou-se ao protesto daquele movimento de jovens.
Vários membros dos partidos da oposição manifestaram apoio a Wangchuk e aos ativistas estudantis.
O estado de saúde de Sonam Wangchuk deteriorou-se nos últimos dias. Na quinta-feira, um tribunal de Nova Deli ordenou que médicos do Governo vigiassem diariamente o estado de saúde do ativista.