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Madeira

Albuquerque quer prédios com mais de 20 andares no Funchal

Presidente do Governo Regional descarta impacto do imobiliário de luxo

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Foto Hélder Santos/ Aspress

À entrada para o Auditório da Reitoria da Universidade da Madeira, Miguel Albuquerque apontou a escassez e a desvalorização de terrenos como o principal entrave à edificação na ilha. 
Como resposta, propôs verticalizar a construção no Funchal em áreas "sem impacto paisagístico". "A zona da Ajuda, por exemplo, pode ter uma capacidade (...) de construirmos prédios até 20 e tal andares, porque isso vai resolver a parte substancial dos nossos problemas", afirmou.

Confrontado sobre se a forte atracção de investimento imobiliário de luxo sufoca o acesso à habitação por parte dos residentes locais, o governante foi taxativo. "A habitação de luxo não tem nada a ver, isso é tudo uma falsa questão. Nem o mercado do AL tem a ver com isso", asseverou Albuquerque, recusando "estragar a galinha dos ovos de ouro" que traz "dinâmica e efeito multiplicador na economia".

Para o presidente do Governo Regional, o caminho passa antes por reforçar a habitação cooperativa, reabilitar "milhares de apartamentos vazios" que os senhorios não arrendam por medo de despejos demorados em tribunal, e expandir a habitação pública com rendas calculadas em função do salário das famílias.

"Nós já vamos acima de 6% da habitação pública. Já entregámos 500 e tal casas e vamos, até Setembro, entregar mais 300 e tal", garantiu, apontando como meta final a construção de pelo menos 1500 fogos.

Questionado sobre os planos para a habitação quando terminarem os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), Miguel Albuquerque adiantou que o executivo já está a desenhar soluções de continuidade. "Estamos a negociar e vamos ter um fundo privado para financiamento da habitação", revelou, explicando que o esforço será complementado através dos orçamentos regionais.

O líder regional assegurou ainda que as novas construções em concelhos como Câmara de Lobos, Calheta ou Ponta do Sol serão "edifícios de qualidade de renda acessível" no centro das localidades, rejeitando o estigma do passado: "Queremos acabar com essa história da habitação social. Queremos habitação pública de qualidade e não criar guetos."