Comprimidos para perder peso estão a chegar
Que comprimidos são estes e a quem se destinam?
Os comprimidos para perder peso estão a chegar ao mercado europeu. Esta semana, após o parecer positivo da Agência Europeia do Medicamento, a Comissão Europeia aprovou a comercialização do Wegovy. Que comprimido é este e a quem se destina?
Para a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, a aprovação da comercialização do Wegovy “representa um momento marcante no tratamento da obesidade na Europa”. Ainda assim, estes comprimidos não se apresentam como uma solução milagrosa para qualquer pessoa que queira perder peso.
O Wegovy é indicado para adultos com obesidade (Índice de Massa Corporal igual ou superior a 30), ou excesso de peso (IMC igual ou superior a 27) e que tenham sido diagnosticados com pelo menos uma comorbilidade ligada ao excesso de peso. Entre as comorbilidades apontadas estão a diabetes, pré-diabetes, hipertensão, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono ou doença cardiovascular.
O comprimido está aprovado, também, para o tratamento da MASH (esteato-hepatite associada à disfunção metabólica) em adultos com cicatrizes hepáticas (fibrose) moderadas ou avançadas, mas não em pessoas com cirrose hepática.
Apresenta-se como uma alternativa a quem já tenham sido prescritos medicamentos injectáveis, sendo a única diferença a toma oral diária ao invés de uma administração injectável semanal. Quem preencha os requisitos para o tratamento, mas tenha receio de injecções, passará, agora, a ter uma alternativa viável.
Ou seja, estes comprimidos para perder peso não são um medicamento destinado a quem queira perder apenas uns quilos, e está sujeito a receita médica. Deverá chegar ao mercado europeu ainda este ano, mas a farmacêutica ainda não avançou datas específicas. De momento, o Wegovy é comercializado em forma de comprimido nos Estados Unidos, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.
Como funciona
O Wegovy contém o princípio activo semaglutida e é um agonista do receptor de GLP-1, ou seja, potencia a acção de uma hormona que afecta a secreção de insulina. Actua sobre os receptores no cérebro que controlam o apetite, aumentando a sensação de saciedade e diminuindo o desejo por comida.
Aponta a Novo Nordisk que os comprimidos estão indicados “como um complemento a uma dieta hipocalórica e a um aumento da actividade física”. O ensaio clínico conclui que a toma diária deste medicamento resultou numa perda de peso de aproximadamente 17%, comparativamente com 3% no grupo de pessoas que tomou um placebo. Cerca de uma em cada três pessoas registou uma perda de peso de 20% ou mais.
Efeitos secundários
Segundo a bula do Wegovy em comprimidos a lista de efeitos secundários é longa. Entre sintomas muitos graves e potencialmente fatais (caso sejam detectados deve ser interrompida a utilização do medicamento e procurada assistência médica urgente) são frequentes as complicações da doença ocular diabética, a retinopatia diabética. Este efeito secundário pode afectar até uma em cada dez pessoas.
Pouco frequente, podendo afectar uma em cada cem pessoas, será a inflamação do pâncreas e cálculos renais ou na bexiga, cujos sinais podem incluir dor nas costas ou parte inferior do abdómen, dificuldade em urinar ou alterações na cor da urina. A pancreatite aguda pode causar dor intensa no estômago e nas costas.
Mais raras (1 em cada 1.000 pessoas) serão as recções alérgicas e fracturas na anca, e ainda mais raras (1 em casa 10.000 pessoas) a neuropatia óptica isquémica anterior não arterítica – doença ocular que pode causar perda de visão em um dos olhos – e a obstrução intestinal, obstipação com sintomas como dor de estômago, inchaço abdominal e vómitos.
Mas a lista de possíveis efeitos secundários continua. Pode incluir dor de cabeça, enjoos, diarreia, obstipação, fraqueza ou cansaço, perturbações gástricas ou indigestão, tonturas, arrotos, flatulência, inchaço abdominal, gastrite, refluxo ou azia, cálculos biliares, queda de cabelo, alteração no sabor e na sensibilidade cutânea, e hipoglicemia em doentes com diabetes.
Depois do tratamento
Um estudo da Universidade de Oxford, publicado na revista médica BMJ concluiu que quando os tratamentos para a obesidade são interrompidos, o aumento de peso ocorre quatro vezes mais rápido do que após a interrupção de uma dieta e de um programa de exercício.
Depois de analisarem 37 estudos sobre a interrupção de vários tratamentos para a perda de peso, os investigadores descobriram que os participantes recuperaram cerca de 0,4 kg por mês, acabando por voltar ao peso inicial depois de 18 meses, em média. Também indicadores cardiovasculares, incluindo a pressão arterial e os níveis de colesterol, voltaram aos níveis originais após 1,4 anos.