DNOTICIAS.PT
Comunidades Madeira

PSD entrega voto de protesto contra atraso na libertação de presos políticos na Venezuela

Iniciativa surge após visita à Região de antigo preso político lusodescendente e destaca casos de cidadãos com ligações à comunidade madeirense

Há anos que as filhas de Juan dos Ramos travam uma batalha pela liberdade do pai
Há anos que as filhas de Juan dos Ramos travam uma batalha pela liberdade do pai, Foto Rui Silva/ASPRESS

Empresário Fernando Venâncio Martínez está detido desde 2024 e Juan Francisco Rodríguez dos Ramos, coronel da Guarda Nacional Bolivariana, desde 2019

O Grupo Parlamentar do PSD/Madeira entregou, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, um voto de protesto contra a actuação do regime venezuelano, devido ao atraso na libertação de presos políticos e à manutenção sob custódia de cidadãos lusodescendentes e de outras nacionalidades detidos por motivos de natureza política.

A iniciativa surge na sequência da presença na Madeira de Manuel Enrique Ferreira, lusodescendente e antigo preso político na Venezuela, cujo testemunho, segundo o PSD/Madeira, deu visibilidade à situação de vários cidadãos que permanecem privados da liberdade por razões políticas.

No documento apresentado, o grupo parlamentar social-democrata recorda os casos de Fernando Venâncio Martínez, empresário luso-venezuelano com ligação à Madeira, detido desde 2024, e de Juan Francisco Rodríguez dos Ramos, Coronel da Guarda Nacional Bolivariana, também com ligação à comunidade madeirense, privado da liberdade desde 2019.

O voto de protesto refere ainda que as recentes catástrofes naturais que atingiram a Venezuela agravaram a situação humanitária no país e expuseram as condições vividas nos estabelecimentos prisionais, com vários reclusos sujeitos a maior fragilidade e insegurança. O PSD/Madeira considera, contudo, que esta realidade "não pode, nem deve, servir como desculpa para a não libertação dos detidos por motivos de natureza política".

Na iniciativa, o PSD/Madeira reconhece o papel das autoridades portuguesas, do Governo Regional e do Governo da República no acompanhamento das famílias e nas diligências que contribuíram para libertações já concretizadas, incluindo a de sete lusodescendentes no início deste ano.

Ainda assim, o grupo parlamentar defende que esse trabalho deve prosseguir "com veemência", reiterando a sua posição em defesa da liberdade, da democracia e do Estado de Direito.

O PSD/Madeira manifesta, assim, "o seu mais veemente protesto contra um regime que continua a manter sob custódia cidadãos privados da liberdade por defenderem os direitos fundamentais e a autodeterminação do povo venezuelano", defendendo que a Venezuela deve reencontrar um caminho democrático, assente em eleições livres, justas e sérias.