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Assembleia Legislativa Madeira

CDS-PP critica bloqueio à missão de socorro madeirense e coloca Venezuela como prioridade no Dia da Região

Foto Rui Silva/Aspress
Foto Rui Silva/Aspress

A catástrofe da Venezuela esteve no centro do discurso da deputada única do CDS-PP, Sara Madalena, esta manhã, na sessão comemorativa do Dia da Região e das Comunidades Madeirenses na Assembleia Legislativa da Madeira, criticando o facto de uma equipa de bombeiros e agentes de protecção civil madeirenses, que se havia preparado para partir em missão de socorro, não ter chegado a sair da Região.

"Esses bombeiros, médicos, agentes da protecção civil ainda por cá andam, porque a Autonomia faz bons discursos, mas a ultraperiferia é uma chatice", afirmou a deputada.

Sara Madalena descreveu que os profissionais se tinham voluntariado e preparado, com a "ânsia, bem autóctone de proactividade", para calçar as luvas e ajudar, e manifestou a esperança de que os 18 bombeiros, médico e agentes de protecção civil ainda possam "seguir caminho até à América do Sul, salvando e resgatando" vítimas. Defendeu que a vida não pode ser remetida para uma "ultraperiferia que faz de nós inúteis involuntários" e que "a Madeira não merece" esse papel, nem os madeirenses. Recordou que grupos madeirenses se uniram, seleccionaram e enviaram bens essenciais para as zonas afectadas, numa demonstração de que "a Madeira não é ingrata".

No arranque do seu discurso, Sara Madalena apresentou o 1 de Julho como uma data de duplo fundamento, tanto histórico como político. Em termos históricos, recordou que foi neste dia, em 1419, que João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira desembarcaram pela primeira vez na ilha da Madeira. Ainda no domínio histórico, evocou o sofrimento que caracteriza a memória do povo madeirense e portossantense, como os ataques corsários e piratas, os sequestros de famílias portossantenses obrigadas a seguir para a Argélia, e o desaparecimento de grande parte dos portossantenses em 1617, levados para o norte de África. "Convém não esquecer", disse.

Recorrendo a uma referência a uma canção de António Variações, a deputada do CDS/PP explicou que o emigrante madeirense, ao contrário do que diz a letra da música, "não deixou de olhar para trás", tendo partido em navios como o ‘Santa Maria’, o ‘Anna’ ou o ‘Federico C’, mas mantido sempre a ligação à terra de origem, enviando dinheiro e contribuindo para que quem ficou pudesse ter uma vida melhor.

Sara Madalena concluiu o seu discurso desta manhã com uma declaração de prioridades: "Hoje, mais que a Autonomia, a vida. Hoje estamos todos em Caracas, em La Guaira, com cada um que precisa, nem que seja da nossa oração".