Protecção Civil madeirense deverá integrar missão portuguesa de apoio à Venezuela
Elementos da Protecção Civil da Madeira deverão integrar as equipas portuguesas de emergência que deverão seguir para a Venezuela, na sequência dos sismos que afectaram aquele país onde reside uma grande comunidade de madeirenses. A informação foi apontada ao DIÁRIO, ao início da noite desta quinta-feira, pelo director regional das Comunidades e Cooperação Externa.
Sancho Gomes deu conta de que a Secretaria Regional com a tutela da Protecção Civil está em articulação com o Governo da República para garantir que operacionais madeirenses possam integrar a força nacional, quando estiverem reunidas as condições para a deslocação.
“Está a ser definido quer o perfil dos elementos a deslocar, quer também o próprio número de elementos da Protecção Civil a serem enviados à Venezuela”, afirmou o governante, acrescentando que a partida ainda depende de questões logísticas, como a definição do aeroporto de destino e da articulação com as autoridades europeias e venezuelanas.
Ao longo do dia, o próprio presidente do Governo Regional já havia manifestado essa intenção, referindo os contactos que estariam em curso, equacionando a incorporação de elementos madeirenses especializados em resgate ou de apoio médico.
Às primeiras horas, Miguel Albuquerque anunciava que o seu chefe de gabinete, Rui Abreu, que antes tinha a pasta das Comunidades, iria à Venezuela inteirar-se da situação e prestar o apoio possível e necessário à comunidade madeirense.
Logística pode atrasar ida
O director regional das Comunidades explicou que, nesta fase, a prioridade continua a ser o socorro às vítimas e as operações de busca e salvamento, sublinhando que o Governo Regional acompanha a situação “a par e passo”, em contacto permanente com o Governo da República.
Com contactos frequentes com a comunidade madeirense naquele país, através dos conselheiros, de dirigentes associativos ou de diversos cidadãos, Sancho Gomes voltou a confirmar a morte de dois descendentes de famílias madeirenses, notando que ainda são muitos os desaparecidos.
Nesse sentido, alertou para as dificuldades de comunicação, pelo que o número de pessoas sem contacto estabelecido poderá não reflectir necessariamente novas vítimas.
Além das perdas humanas, Sancho Gomes admite que a comunidade portuguesa e madeirense sofreu elevados prejuízos materiais, uma vez que muitos emigrantes são empresários e proprietários de habitações. Apesar disso, considera que ainda é cedo para fazer um levantamento rigoroso dos danos.
“Neste momento, a preocupação está no resgate e no apoio às vítimas. A informação vai surgindo à medida que as operações avançam”, afirmou.
O director regional deixou ainda uma mensagem de solidariedade à comunidade madeirense residente na Venezuela e às famílias que acompanham a situação a partir da Madeira, apelando à calma perante as dificuldades nas comunicações e garantindo que as autoridades continuam a acompanhar a evolução da tragédia.