Alguns supermercados encerrados e outros registam longas filas de clientes em Caracas
Algumas das grandes redes de supermercados na Venezuela tiveram dificuldades na abertura de portas em Caracas, devido a problemas de transporte que impediram alguns trabalhadores de chegar aos seus empregos, disseram vários portugueses à Lusa.
Entre as redes que mantinham as sucursais encerradas estava a Central Madeirense e El Páramo, sendo visível neste último produtos espalhados pelo chão.
No entanto, pequenos supermercados, alguns deles de portugueses, abriram as portas, registando longas filas de espera.
"As pessoas estão à procura, principalmente, de água potável e atum em lata. Estamos com pessoal reduzido, mas abertos", disse António Figueira do supermercado Maturín, em Los Cedros, no centro leste de Caracas.
Este comerciante acrescentou que mesmo sem todos os trabalhadores é importante que nestes momentos as pessoas consigam aquilo que procuram, sem mais preocupações.
"Graças a Deus, aqui nesta zona, não temos indicações de grandes danos materiais, mas sabemos que há edifícios com danos materiais nas estruturas em várias zonas da cidade, inclusive um deles em Los Ruices, onde vivem vários portugueses, que estão a ser aconselhados a esperar o parecer das autoridades", referiu.
Ainda em Caracas, Roberto dos Santos, proprietário da padaria La Rosita, contou à Lusa que abriram cedo as portas.
"Chamámos todos os colaboradores para virem trabalhar, porque temos uma responsabilidade social como empresa. Abrimos pelas 06:30 [locais] e já tínhamos entre 80 a 100 pessoas em fila à espera que abríssemos. As pessoas não dormiram nada em toda a noite, algumas permaneceram nos seus carros, até nas praças e estavam à procura de café, pastéis e água. Estamos cá a fazer um serviço público a toda a população", disse.
Sobre a situação da padaria, afirmou que não foram registados danos severos na estrutura do edifício, mas algumas paredes de cerâmica ruíram.
"O importante é a vida dos nossos vizinhos e colaboradores, agora vamos pouco a pouco arranjar os estragos", disse, sublinhando que "neste momento é importante a união de todos".
Santos acrescentou que estavam a reformar um escritório no último piso do prédio, por isso a situação do edifício foi avaliada, ainda na quarta-feira, por dois engenheiros e um arquiteto.
Em Las Delicias de Sabana Grande, vários prédios registaram danos superficiais que precisam agora ser reparados, principalmente edifícios antigos com mais de 50 anos, indicou.
Sobre a situação de compatriotas portugueses, disse que tem tentado falar com vários clientes da padaria para saber como se encontram.
"Tenho estado a telefonar e consegui falar com um amigo que tem uma fábrica de gelo, que está a tentar viajar para o estado de La Guaira (a região mais afetada do país) com um camião de água, em resposta a um pedido das equipas de salvamento", disse.
No entanto, precisou que o acesso a La Guaira está condicionado.
"Não é o momento para tentar ir até La Guaira, é preciso dar espaço aos socorristas, porque as primeiras 24 a 48 horas são fundamentais para o resgate", salientou.
A agência Lusa tentou, sem sucesso viajar até ao estado de La Guaira, optando por regressar a Caracas. Várias pessoas disseram à Lusa que demoraram até seis horas num trajeto habitualmente feito em 20 a 25 minutos, com as autoridades a exigir um salvo-conduto para deixarem passar.
O lusodescendente José Freitas contou à Lusa que demorou duas horas na fila para pagar alguns produtos básicos, num dos supermercados Fórum.
"Há pessoas a fazer grandes compras, eu levo apenas o básico para casa, o que é preciso para estes dias", disse.