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Assembleia Legislativa Madeira

Chega critica "amiguismo" e "elitismo" do Governo Regional no Dia da Região

Foto Rui Silva/Aspress
Foto Rui Silva/Aspress

"Não venho a esta tribuna para fazer fretes políticos, para ler discursos ensaiados ou para dourar a pílula a quem governa". Foi desta forma que o novo líder regional do Chega, Hugo Nunes, anunciou a mensagem que preparou para a sessão comemorativa do Dia da Região que decorre esta manhã na Assembleia Legislativa da Madeira.

Foi uma intervenção marcada por uma crítica directa ao Governo Regional, acusando-o de ter criado "um sistema baseado no amiguismo e no privilégio" que "asfixia a iniciativa das pessoas e premeia a proximidade ao partido em vez do mérito", e de ter tornado a governação "distante e insensível às dificuldades das famílias".

Hugo Nunes centrou a intervenção nos problemas do quotidiano que, afirmou, encontra "ao caminhar pelas nossas freguesias, ruas e veredas". Identificou três problemas principais: a persistência de taxas de pobreza elevadas a par do enriquecimento de "uma minoria privilegiada que orbita em redor do poder"; a carga fiscal sobre famílias e pequeno comércio, em contraste com os "benefícios para os grandes grupos económicos do costume"; e o aumento do número de pessoas e famílias sem habitação condigna na capital, sem resposta social "humana, rápida e eficaz".

O deputado do Chega defendeu uma governação transparente, com o dinheiro público a ser investido "na saúde, na habitação e no apoio social, e não em compadrios", e uma Madeira "onde o talento e o trabalho valham mais do que as influências políticas". Dirigiu o discurso à classe média, aos jovens casais sem acesso a habitação e aos pais que veem os filhos emigrar "não por falta de amor à ilha, mas por falta de oportunidades de emprego justas e transparentes".

Sobre a Autonomia, Hugo Nunes afirmou que não é "propriedade privada de um partido", não é "um escudo para proteger um governo" e não serve "para alimentar vaidades de quem se julga intocável", tendo sido "conquistada pelo povo da Madeira e do Porto Santo" e devendo servir esse povo. Criticou o que classificou como o uso da Autonomia como "mera peça decorativa".

O deputado dedicou também uma passagem ao Porto Santo, afirmando que a dupla insularidade "não pode continuar a ser uma desculpa para o esquecimento" e que a ilha exige "igualdade de oportunidades na saúde, nas ligações e no investimento público ao longo de todo o ano", e não apenas atenção no Verão.

Sobre a Venezuela, Hugo Nunes deixou uma palavra de solidariedade à comunidade luso-venezuelana, tanto aos que "resistem naquele país" como aos que regressaram, e afirmou que o Dia da Região tem "o dever de os celebrar, acolher e proteger com celeridade, sem falsas promessas".