Município venezuelano distingue portugueses por apoio ao desenvolvimento local
O Município de Cristóbal Rojas, Charallave, realizou sexta-feira uma sessão solene em que condecorou, com a "Ordem Manuel Pereira Nunes" vários portugueses radicados naquela localidade, situada a quase 50 quilómetros a sul da capital venezuelana, Caracas.
A iniciativa, segundo explicaram as autoridades locais à Lusa, teve em conta a celebração em junho do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, pelo que procurou reconhecer os méritos dos portugueses e o apoio que deram ao desenvolvimento local.
"Apesar de o Dia de Portugal ter sido a 10 de junho, decidimos celebrá-lo hoje [sexta-feira], fazer um reconhecimento genuíno a uma comunidade que tem um grande sentimento de pertença à nossa pátria, (...) a homens e mulheres trabalhadores cuja humanidade e experiência é um exemplo de organização, planeamento e, acima de tudo, trabalho em família", explicou à Lusa a presidente daquela câmara municipal.
Yuhismar Hernández, sublinhou ter tido a oportunidade de compartilhar algumas tradições com os portugueses, e sobretudo a vocação de fé em Nossa Senhora de Fátima.
"Os portugueses são uma comunidade inclusiva, sincera, um exemplo de dedicação a duas pátrias, e reconhecer isso tem muito valor. Em Cristobal Rojas queremos muito que continuem a contribuir económica e organizativamente na construção deste município", frisou.
Alexis Quintero, presidente do Conselho Municipal de Cristóbal Rojas, disse que anualmente, cada mês de junho, é uma oportunidade para distinguir os amigos portugueses que vieram e acreditaram na Venezuela, em particular naquele município.
Explicou ainda que a comunidade lusa local é maioritariamente comerciante, e que desde 1975 o município realiza também, anualmente, uma festa em honra de Nossa Senhora de Fátima.
"É uma comunidade muito tranquila, que merece o nosso respeito e reconhecimento e, nós, estendemos-lhes os braços", disse, sublinhando que, em breve, vão ser assinados acordos com portugueses para empreendimentos na cidade de Charallave.
O orador convidado, o português Paulo Alexandre Ferreira dos Reis, 62 anos, aproveitou a sessão para recordar aos presentes alguns dos momentos-chave da história de Portugal.
Em declarações à Lusa, explicou que nasceu em Piedade, Águeda, Distrito de Aveiro, e que aos 15 anos emigrou para a Venezuela, onde começou por ser padeiro, depois dedicou-se a misturar cores para pintar carros e mais tarde à tinturaria. Hoje, é proprietário de uma fábrica de calças de ganga.
Às futuras gerações, o emigrante português deixa uma mensagem: "a base de qualquer sociedade é a família".
Beatriz de Sousa, 80 anos e natural de Oliveira do Douro, Gaia, uma das condecoradas, explicou à Lusa que emigrou para a Venezuela aos 10 anos.
"Já vivo em Charallave há 54 anos. Vim por uns dias e fiquei por cá. Tenho duas pátrias [Portugal e Venezuela], e não sei de qual das duas gosto mais", disse, acrescentando que, nos últimos cinco anos, já visitou quatro vezes a sua terra de origem.
"Estou muito agradecida a Portugal e à Venezuela. Estou muito orgulhosa da milha família e das minhas raízes. Os meus filhos e netos nasceram todos aqui e já tenho mais anos na Venezuela do que em Portugal", disse.
Charallave é uma cidade venezuelana situada a 50 quilómetros a sul de Caracas. Foi fundada em 1681 e faz parte do Município de Cristóbal Rojas do Estado venezuelano de Miranda.
Tem 158 mil habitantes e conjuntamente com as cidades de Cúa, Santa Teresa del Tuy, Ocumare del Tuy, San Francisco de Yare e Santa Lúcia, constituiu um conjunto urbano denominado de Los Valles del Tuy, onde residem vários milhares de portugueses.