Universidade venezuelana reinaugura Centro de Língua Portuguesa
A Universidade Central da Venezuela (UCV), a principal universidade pública do país, reinaugurou quinta-feira o Centro de Língua Portuguesa (CLP), que passou a incluir o nome Daniel Morais, em homenagem a um promotor local da cultura lusa.
A reinauguração incluiu uma sessão solene com atos culturais e reuniu, entre outras, as autoridades académicas e diplomáticas de Portugal, Brasil, Suriname, São Vicente e Granadinas, professores e responsáveis pelo ensino local da Língua Portuguesa e representantes de instituições luso-venezuelanas.
"A partir de hoje o Centro de Língua Portuguesa passará a chamar-se Daniel Morais um dos fundadores do CLP, inaugurado no ano de 1994", explicou à Lusa a vice-reitora da UCV.
Fátima Garcês explicou ainda que o CLP está situado na Biblioteca Central daquela universidade, aberto aos estudantes de outras escolas. Informou ainda que todos os seus livros vão ser digitalizados e disponibilizados 'online'.
A docente sublinhou ainda que estão disponíveis livros de áreas como política, gastronomia, cultura e língua portuguesa, não apenas de Portugal, mas também do Brasil, Angola, São Vicente e dos países de língua portuguesa.
A UCV, como fez ainda questão de destacar, "é a primeira casa de estudos da Venezuela", tem 304 anos e há mais de 25 anos que foi declarada património da humanidade pela Unesco.
O embaixador de Portugal em Caracas, Frederico Silva, disse à Lusa que, com esta reinauguração, o CLP vai crescer, com mais meios bibliográficos, tecnológicos e pedagógicos, 31 anos após a assinatura do protocolo de cooperação fundador entre o Instituto Camões e a UCV.
"Hoje também realizamos um ato de justiça. As novas instalações do CLP estão batizadas com o nome de um vulto muito importante da nossa comunidade portuguesa aqui na Venezuela: Daniel Morais, um homem que foi um dos fundadores do Centro Português de Caracas, que esteve ligado à criação do Instituto Português de Cultura, e que foi muito importante para dar início, aqui na UCV, aos estudos e à aprendizagem da Língua Portuguesa", explicou.
A coordenadora da cátedra de português na UCV, Digna Tovar, explicou à Lusa que Daniel Morais "foi o artífice da criação do Departamento de Português da Escola de Idiomas Modernos".
"Hoje é um dia de importância capital, porque finalmente temos um espaço e sentido de pertença. Vamos disponibilizar ao público todo o acervo bibliográfico que temos na nossa biblioteca", disse ainda, precisando que mais de 1.500 livros já estão catalogados e integrados na rede de bibliotecas virtuais do Instituto Camões.
"Este espaço é um polo de encontro (...), uma embaixada da lusofonia, em pleno coração de Caracas", frisou.
Maria Helena Morais, filha de Daniel Morais, manifestou-se surpreendida e sensibilizada com a homenagem. "Nós vivemos todo o processo de consolidação do CLP. Ter este espaço com o nome de Daniel Morais é mais que um orgulho, acho muito justo", disse.
Natural de Almada, onde nasceu em 1924, Daniel Morais, faleceu em Caracas em agosto de 2007. Era casado e tinha três filhos. Emigrou para a Venezuela em 1948, por razões políticas e económicas, dada a sua militância antissalazarista e antifascista, tendo integrado o Comité Central do MUD-Juvenil.
Simpatizante do Partido Socialista, esteve preso nas cadeias de Aljube e Caxias, na companhia de Mário Soares e Octávio Pato.
Entrou para os quadros da embaixada de Portugal em Caracas em 1989, onde era adido cultural. Desde 30 de Novembro de 1985, foi presidente do Centro Fernando Pessoa, instituição que passou a ser chamada Fundação Instituto Português de Cultura.
Em 1956, produziu vários programas radiofónicos dirigidos à comunidade luso-venezuelana, entre eles a Serenata Portuguesa e o Ecos de Portugal, que mais tarde se transformou em semanário da imprensa escrita, e, entretanto, extinto.
Foi um dos fundadores e presidente do Centro Português de Caracas.