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Estados Unidos poderão não fornecer apoio prometido à NATO

Secretário-geral Mark Rutte desconfia que em caso de guerra essa ajuda pode faltar por os EUA estarem a se "ocupar de múltiplos teatros de operações"

O secretário de Estado da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte. Foto Olivier Hoslet/EPA
O secretário de Estado da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte. Foto Olivier Hoslet/EPA

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou hoje não poder garantir que, em caso de guerra, os Estados Unidos disponibilizem à Aliança os recursos militares que prometeram por terem de se "ocupar de múltiplos teatros de operações".

"Se rebentar uma guerra, é claro que todos os aliados, incluindo os Estados Unidos, farão tudo o que estiver ao seu alcance. Não digo que possam cumprir tudo o que prometeram no âmbito do modelo de forças da NATO, mas darão o máximo", disse Rutte à imprensa à chegada a uma reunião dos ministros aliados da Defesa, na sede da Aliança Atlântica, em Bruxelas.

O antigo primeiro-ministro neerlandês precisou que "isso dependerá, naturalmente, do tipo de guerra em causa, das limitações existentes e dos desafios que surjam".

"Mas estou bastante seguro de que lutaremos nessa guerra e a venceremos", acrescentou.

Rutte pronunciou-se depois de Washington ter anunciado que vai reajustar a sua contribuição para o Modelo de Forças da NATO, a estrutura operacional que organiza, gere e comanda as forças militares dos países aliados.

"Os EUA disseram, e sabíamos que isto iria acontecer, que têm de se ocupar de múltiplos teatros de operações, e que não podem dispersar demasiado os seus recursos. Disseram que tinham de reduzir, em certa medida, a sua contribuição para o modelo de forças da NATO", explicou.

O secretário-geral da NATO sublinhou que este reajuste é imediato, mas insistiu que se trata de uma "planificação" e que, em caso de guerra ou de ativação do artigo 5.º relativo à defesa coletiva da Aliança, "todos os aliados, incluindo os EUA, fariam tudo para garantir que pudéssemos travar a guerra".

"Devemos ter em conta que os EUA estão a reduzir a sua contribuição, que continua a ser considerável", disse o secretário-geral da NATO, deixando claro que os aliados europeus já estão "a cobrir essa diferença".

Antes do mesmo encontro, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o país vai realizar um investimento de 1.500 mil milhões de dólares (1.302 mil milhões de euros) em Defesa em 2027, investimento que, considerou, irá também beneficiar a defesa da NATO.

Hegseth explicou que passará "semanas no Capitólio a defender a importância destes investimentos", destinados a construir um "arsenal da liberdade", que "protege os Estados Unidos e os seus interesses, mas que também sustenta a força da NATO" e restantes aliados.

O governante norte-americano agradeceu ainda o facto da Europa estar a liderar o regresso a uma "aliança militar firme", e considerou que muitos países da organização estão a cumprir os compromissos assumidos, embora tenha salientado que outros ainda precisam de "fazer mais".

Ao mesmo tempo, Hegseth elogiou o trabalho de Rutte na condução da transformação para a chamada "NATO 3.0", alegando que esta mudança "representa o reconhecimento de que, após a Guerra Fria, é necessário [que a NATO] volte a ser uma aliança militar firme, dotada de capacidades militares reais, capazes de dissuadir aqui mesmo, no continente, e de assumir a liderança na defesa convencional".

"É uma tarefa que vocês têm liderado e na qual outras nações estão a começar a participar ativamente", acrescentou.

Rutte confirmou também que o presidente ucraniano, Volodímir Zelenski, participará hoje na reunião do grupo de contacto, que junta cerca de 50 países no apoio à Ucrânia, e que terá lugar após a reunião ministerial da NATO.

O secretário-geral destacou a declaração de apoio à Ucrânia da cimeira do G7 e agradeceu aos Estados Unidos por "manterem o fluxo de equipamento essencial para a Ucrânia", acrescentando que trabalhará para que aliados e parceiros continuem a aportar fundos.

A Aliança tem em curso a iniciativa PURL, através da qual os aliados europeus e o Canadá compram conjuntamente armamento norte-americano, que posteriormente doam a Kiev, sobretudo sistemas de defesa aérea.

Na reunião de hoje, os ministros vão preparar a cimeira aliada de 07 e 08 de julho em Ancara, onde se discutirá o apoio à Ucrânia, mas também como os países vão atingir o objetivo de investir 5% do PIB em defesa até 2035 e o reforço da produção militar.