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Guerra no Irão Mundo

Teerão defende que acordo "reconhece o fracasso dos Estados Unidos"

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Foto EPA

O chefe da equipa de negociação do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, estimou hoje que o acordo, que deverá ser assinado na sexta-feira na Suíça, após mais de três meses de guerra no Médio Oriente, representa uma derrota para Washington.

"Este acordo reconhece o fracasso dos Estados Unidos. As pessoas vão tomar nota disso e tirar as suas próprias conclusões", frisou Ghalibaf, que é também presidente do Parlamento iraniano, à televisão estatal, pouco depois da publicação do texto por ambas as partes.

Ghalibaf tem presença confirmada na cerimónia de assinatura do memorando de entendimento com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, marcada para sexta-feira perto de Lucerna.

O memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irão prevê a diluição do urânio enriquecido iraniano e a suspensão de sanções a Teerão, no quadro das negociações a concluir em 60 dias, indicaram hoje as autoridades norte-americanas.

O texto deixa também claro que "a República Islâmica do Irão reafirma que não vai adquirir nem desenvolver armas nucleares".

Em troca, os Estados Unidos comprometem-se a suspender "todos os tipos de sanções" contra o Irão, incluindo as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, do Conselho de Governadores da AIEA e unilaterais de Washington, num calendário a definir como parte do acordo final que vai ser negociado depois da assinatura do memorando, prevista para sexta-feira na Suíça.

A minuta do memorando garante a passagem gratuita da navegação comercial pelo estreito de Ormuz durante 60 dias, mas não impede a cobrança de taxas no futuro, segundo as autoridades de Washington sob anonimato.

Ghalibaf garantiu também hoje à noite que o estreito "não regressará à situação pré-guerra".

"O Irão tem um direito soberano sobre Ormuz e, claro, cobraremos uma taxa por estes serviços", acrescentou.

No domingo, o Paquistão anunciou um memorando de entendimento entre Washington e Teerão para pôr fim à guerra aberta no Médio Oriente, provocada pela ofensiva israelo-norte-americana em 28 de fevereiro contra a República Islâmica.

O memorando deverá ser assinado na sexta-feira num 'resort' de luxo nas margens do lago Lucerna, na Suíça.