DNOTICIAS.PT
Fact Check Madeira

É cada vez mais comum vivermos até aos 90 ou 100 anos na Madeira?

None
Foto ShutterStock

Nivalda Gonçalves, presidente do Instituto da Segurança Social da Madeira (ISSM), afirmou que é cada vez mais comum chegar aos 90 e aos 100 anos, numa entrevista ao DIÁRIO, publicada na edição impressa de hoje, 1 de Junho, quando questionada sobre qual considera ser o maior desafio actual do sistema de Segurança Social.

Na resposta, a presidente aponta o envelhecimento da população como o desafio mais exigente, sublinhando a crescente longevidade e o impacto que esta tendência tem na sustentabilidade e organização das respostas sociais.

A afirmação é utilizada para ilustrar a ideia de que a sociedade contemporânea regista uma maior frequência de pessoas a atingir idades muito avançadas, com implicações directas ao nível das pensões, da saúde e do apoio social. A mesma sugere não apenas o aumento da esperança média de vida, mas também uma alteração estrutural na distribuição etária da população, com mais indivíduos a sobreviverem até idades extremamente avançadas.

O DIÁRIO procurou verificar se os dados disponíveis confirmam se nos dias de hoje é mais frequente atingir essas idades na Madeira.

Para a verificação da afirmação, procuramos analisar os dados fornecidos pela Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM), relativos ao número de residentes com 100 ou mais anos entre 2014 e 2024. A análise centra-se na evolução deste grupo etário ao longo de uma década, permitindo avaliar a tendência da longevidade extrema na Região Autónoma da Madeira.

Os dados da DREM mostram que o número de pessoas com 100 ou mais anos na Madeira passou de 30 indivíduos em 2014 para 58 em 2024, o que representa praticamente o dobro ao longo de dez anos.

Ao longo da série temporal, a evolução não é linear, mas apresenta uma tendência global de crescimento. Em 2015, o número subiu para 36 (8 homens e 28 mulheres) centenários e voltou a aumentar em 2016 para 40 (6 homens e 34 mulheres), valor que se manteve em 2017 (5 homens e 35 mulheres). Nos anos seguintes observa-se alguma oscilação, 37 (7 homens e 30 mulheres) em 2018 e 34 (6 homens e 28 mulheres) em 2019, seguida de uma recuperação em 2020, com 42 pessoas (6 homens e 36 mulheres) com 100 ou mais anos.

Em 2021 e 2022 regista-se novamente uma ligeira descida, com 38 (5 homens e 33 mulheres) e 34 centenários (3 homens e 31 mulheres), respectivamente, antes de uma nova subida em 2023 para 41 (5 homens e 36 mulheres). O aumento mais expressivo ocorre em 2024, quando o número de centenários atinge 58 (7 homens e 51 mulheres), o valor mais elevado da série analisada.

Esta evolução irregular é típica de populações muito reduzidas, onde pequenas variações absolutas podem representar oscilações relevantes em termos percentuais. Ainda assim, quando observado o período no seu conjunto, o padrão dominante é de crescimento claro do número de pessoas que atingem os 100 anos.

Importa ainda sublinhar que esta análise incide exclusivamente sobre os centenários. Embora a afirmação mencione também os 90 anos — um grupo demográfico substancialmente mais alargado — a evolução dos 100 anos é frequentemente utilizada como indicador da expansão da longevidade extrema e do aumento da sobrevivência até idades muito avançadas.

A expressão “é cada vez mais comum” não exige uma evolução contínua ano a ano, mas sim uma tendência consistente de aumento ao longo do tempo. Nesse sentido, os dados disponíveis apontam para uma maior frequência de pessoas a atingir idades muito avançadas na última década.

O aumento do número de centenários na Madeira é consistente com o aumento da esperança de vida e o envelhecimento estrutural da população, fenómenos amplamente documentados nas últimas décadas.

Pelo exposto, os dados da Direcção Regional de Estatística da Madeira evidenciam um aumento significativo do número de pessoas que atingem os 100 anos ao longo da última década, ainda que com oscilações anuais. No seu conjunto, a tendência é claramente ascendente e consistente com o aumento da longevidade.

Assim, confirma-se que é cada vez mais comum atingir idades muito avançadas.

"É cada vez mais comum chegar aos 90 ou aos 100 anos", Nivalda Gonçalves, presidente do Instituto da Segurança Social da Madeira (ISSM)