Má qualidade da água levou à interdição da Praia do Vigário?
Denúncia recebida pelo DIÁRIO levou à verificação de comunicados oficiais sobre a qualidade da água balnear na única praia vigiada de Câmara de Lobos.
O DIÁRIO recebeu um reparo/denúncia que estranhava o facto de não ter sido noticiada uma alegada situação ocorrida na semana anterior, segundo a qual uma praia da Madeira teria hasteado a bandeira vermelha na sequência de uma interdição à prática balnear motivada por problemas na qualidade da água.
Sem indicação concreta sobre qual a zona balnear em causa, foi realizada uma verificação aos factos para apurar a veracidade da informação. Numa primeira fase, tornou-se necessário identificar quais as praias da Região que já se encontravam em época balnear. Até à data, existem cinco praias oficialmente vigiadas por nadadores-salvadores na Madeira: uma no Porto Moniz, três no Porto Santo e uma em Câmara de Lobos, a Praia do Vigário.
A partir desta identificação, a investigação incidiu sobre os comunicados das autoridades de saúde e os registos oficiais relativos à qualidade das águas balneares.
A pesquisa permitiu confirmar que a Praia do Vigário, a única zona balnear oficialmente reconhecida como praia de banhos no concelho de Câmara de Lobos, esteve efectivamente interdita à prática balnear durante dois dias este mês.
De acordo com um comunicado da Autoridade de Saúde Regional, a 20 de Maio foi determinada a interdição temporária da prática balnear naquela praia após a detecção de contaminação microbiológica nas águas. A decisão resultou de uma avaliação de risco realizada na sequência de análises laboratoriais que identificaram níveis de bactérias acima dos valores considerados seguros.
A coincidência entre a interdição e um período de maior agitação marítima poderá ter contribuído para alguma percepção errada sobre as razões da bandeira vermelha hasteada na praia. Entre utentes e pessoas que passaram pela promenade de Câmara de Lobos, a restrição foi por vezes associada às condições do mar e às marés vivas. Contudo, os comunicados oficiais da Autoridade de Saúde Regional indicam que a medida foi adoptada exclusivamente na sequência da detecção de contaminação microbiológica da água balnear.
Nas águas balneares, a monitorização da qualidade incide sobretudo sobre bactérias indicadoras de contaminação fecal, nomeadamente a Escherichia coli (E. coli) e os enterococos intestinais. Quando os resultados ultrapassam os limites legalmente estabelecidos, as autoridades podem determinar medidas preventivas, incluindo a interdição temporária dos banhos.
Dois dias depois, a 22 de Maio, a Autoridade de Saúde Regional anunciou o levantamento da restrição, após nova avaliação laboratorial concluir que a água reunia novamente condições adequadas para a prática balnear.
A análise do histórico da Praia do Vigário mostra que este não foi um caso isolado. Em 2023, a água balnear recebeu classificação “má”. Depois voltou a recuperar qualidade para água balnear, embora tivesse registado novo contratempo há um ano.
Apesar dessa evolução positiva, a praia voltou a registar um episódio de contaminação microbiológica em Junho de 2025. Na altura, a Autoridade de Saúde Regional determinou igualmente a interdição temporária da prática balnear na Praia do Vigário e na Praia da Quinta do Lorde, em Machico, após análises laboratoriais terem detectado contaminação nas águas.
A Praia do Vigário localiza-se numa zona sujeita a diversos factores que podem influenciar a qualidade da água, incluindo a proximidade de linhas de água, áreas urbanas, zonas agrícolas e da ETAR de Câmara de Lobos.
A verificação dos comunicados oficiais e dos registos públicos permitiu, assim, confirmar a ocorrência de uma interdição temporária à prática balnear na Praia do Vigário durante a semana anterior, motivada pela detecção de contaminação microbiológica nas águas.