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Madeira

Padre alerta para exaustão dos sacerdotes e pede mudanças

Pároco de São Sebastião e da Quinta Grande pede reorganização pastoral no Diocese do Funchal

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O padre Pedro Nóbrega defendeu hoje a necessidade de uma reorganização pastoral “mais humana e equilibrada” na Diocese do Funchal, alertando para o desgaste físico e mental sentido por muitos sacerdotes devido à acumulação de funções e à ausência de períodos adequados de descanso.

Numa publicação divulgada esta quinta-feira na sua página de Facebook, sob o título “O cansaço atrás do altar!”, o sacerdote madeirense considera que “um sacerdote não deixa de ser homem por ter recebido a ordenação” e sublinha que os padres continuam sujeitos a “limites, cansaços e fragilidades”.

A reflexão surge um dia depois de a Rádio Renascença ter publicado uma extensa reportagem sobre casos de ‘burnout’ entre sacerdotes em Portugal, incluindo testemunhos de padres que admitem ter chegado “ao limite da exaustão” ou sofrido ataques de pânico durante celebrações religiosas.

Segundo o Anuário Católico, Pedro Nóbrega é pároco de São Sebastião, em Câmara de Lobos, pároco da Quinta Grande, director do Departamento do Ensino da Igreja nas Escolas e professor de Educação Moral e Religiosa Católica na Escola da APEL.

No texto agora divulgado, o sacerdote defende que, tendo em conta a realidade insular da Madeira, faria “muito mais sentido unir paróquias próximas entre si”, evitando “sobrecargas desnecessárias, deslocações constantes e um desgaste que tantas vezes vai sendo acumulado em silêncio”.

“Não faz muito sentido pastoral que padres tenham que cruzar paróquias de outros só por necessidade pastoral”, escreve, admitindo que essa solução possa ser necessária de forma temporária, “mas nunca para sempre”.

Pedro Nóbrega critica ainda aquilo que considera ser uma “ideia perigosa” em torno da figura do padre, segundo a qual o sacerdote ideal é aquele que “nunca descansa, nunca pára e vive permanentemente disponível para tudo”.

“Como se o esgotamento fosse prova de santidade. Não é”, afirma, acrescentando que “a Igreja não precisa de sacerdotes destruídos interiormente, mas de homens equilibrados e acompanhados para poderem cuidar verdadeiramente dos outros”.

Na mesma publicação, o padre madeirense refere também que alguns sacerdotes acabam alvo de críticas quando procuram “alguma estabilidade humana”, descanso ou condições normais de vida, apontando para uma “mentalidade que romantiza a miséria do sacerdote”.

“Cuidar dos padres não é um luxo nem uma fraqueza. É também cuidar do povo que lhes foi confiado”, conclui.