Pirataria reemergiu este ano na costa da Somália elevando nível de ameaça
O Instituto de Estudos de Segurança alertou hoje para o ressurgimento da pirataria ao largo da costa da Somália, relatando ataques a embarcações entre abril e maio que motivaram a elevação do risco de ameaça para "grave".
De acordo com um artigo hoje publicado pelo Instituto de Estudos de Segurança (ISS, na sigla em inglês), entre abril e maio registaram-se, no largo da costa somali, "vários 'dhows' [embarcações tradicionais] e navios mercantes de maior dimensão a serem alvo de ataques" com as respetivas tripulações a serem retidas para a obtenção de resgates.
Como resposta a esses relatos, o Centro Conjunto de Informação Marítima elevou a sua avaliação da ameaça de pirataria para "grave" na região.
Consequentemente, para o ISS, a Somália e os seus países vizinhos devem tomar medidas para combater esse ressurgimento - que ocorreu precisamente nos meses em que os ventos e a altura das ondas são menores -, nomeadamente agindo contra a pesca ilegal, que é extremamente lucrativa nesta zona.
"Além de os pescadores locais recorrerem à pirataria devido à perda de rendimentos, os piratas também justificam as suas ações alegando que ajudam a dissuadir os navios que praticam pesca ilegal. Os mares da Somália são extremamente lucrativos, contendo várias populações de peixes de elevado valor que estão mal protegidas devido à capacidade mínima de segurança marítima da Somália", contextualizou.
Por outro lado, frisou que o aumento da atividade de navios ao longo da linha costeira do norte da Somália permite que os piratas explorem as vulnerabilidades marítimas, criando um desafio de segurança mais amplo com implicações para o transporte marítimo global.
A costa da Somália é conhecida mundialmente pela ocorrência de pirataria.
O Governo federal, que se tem focado no combate aos grupos terroristas do Al-Shebab, tem uma pequena marinha e guarda costeira que operam no porto de Mogadíscio e arredores, com um alcance limitado além do mar territorial, indicou.
Assim, "na prática, são as entidades estatais, como a polícia marítima de Puntland, que constituem o principal meio interno de combate à pirataria", frisou.
"A pirataria era desenfreada ao largo da costa da Somália nos anos 2000, atingindo o pico em 2011 com centenas de ataques. Contudo, estes números foram significativamente reduzidos através de destacamentos navais internacionais coordenados, novas táticas de segurança e medidas preventivas adotadas pela marinha mercante. As comunidades somalis e a polícia marítima local também fecharam os espaços em terra que permitiam aos piratas operar", recordou.