Portugal cresceu com internacionalização e investimento em capital humano
Pedro Siza Vieira destaca década de transformação económica e novos desafios globais
O advogado e ex-ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, afirmou esta quinta-feira que Portugal viveu uma profunda reorientação económica assente na internacionalização das empresas, no investimento em capital humano e na melhoria das infra-estruturas, resultando numa década de crescimento e maior resiliência.
Na intervenção no painel principal das comemorações do Dia do Empresário Madeirense, ‘A Gamificação – O Mundo e as Empresas em Modo de Jogo’, no Savoy Palace, o antigo governante sublinhou que as exportações portuguesas atingiram níveis próximos dos 47% do mercado, com maior integração nas cadeias de valor internacionais.
Pedro Siza Vieira destacou que a aposta na educação e na qualificação da mão-de-obra permitiu a evolução para sectores de maior valor acrescentado, como tecnologia, indústria aeroespacial, farmacêutica e tecnologias de informação.
O ex-ministro referiu ainda que a melhoria das infra-estruturas, da qualidade dos serviços públicos e da estabilidade institucional foram factores determinantes para a competitividade da economia portuguesa.
Apesar dos ganhos, alertou para a crescente incerteza global, marcada por alterações nas regras do comércio internacional, maior pressão sobre preços e vulnerabilidades associadas ao endividamento e à dependência externa.
Segundo o orador, a ordem mundial tornou-se mais multipolar e imprevisível, exigindo estratégias mais flexíveis e adaptativas por parte dos Estados e das empresas.
Pedro Siza Vieira defendeu ainda que Portugal deve reforçar a sua autonomia económica e capacidade de resposta, reduzindo dependências críticas e diversificando riscos, sem abdicar da integração internacional.
O antigo governante destacou também a importância das infra-estruturas físicas — como energia, transportes, centros de dados e produção de semicondutores — para sustentar a economia digital, sublinhando que a competitividade tecnológica depende cada vez mais desses activos.
No plano europeu, alertou para as escolhas estratégicas entre maior alinhamento transatlântico ou reforço da autonomia da União Europeia em matéria económica e de defesa, lembrando que essas opções terão impacto directo na posição dos Estados-membros.
Pedro Siza Vieira concluiu que a experiência recente de adaptação a choques, como crises financeiras e a pandemia, demonstra a capacidade de resiliência das empresas portuguesas, mas sublinhou a necessidade de continuar a investir em inovação, diversificação e cooperação institucional.