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Remoção de barreiras fluviais obsoletas bateu novo recorde, Portugal removeu uma

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Foto Shutterstock

A remoção de barreiras fluviais obsoletas bateu recordes no ano passado na Europa, mais de 600, representando um aumento de 11% face a 2024, com Portugal a remover apenas uma.

No relatório "Dam Removal Europe 2025", divulgado ontem, a organização com o mesmo nome congratula-se com o novo recorde: 603 barreiras removidas, permitindo que mais 3.740 quilómetros de rios ficassem ligados em todo o continente.

Segundo o documento, só no ano passado a Suécia removeu 173 barreiras, a Finlândia 143 e a Espanha 109. Portugal surge no final da lista, ao lado da Croácia, da Islândia, da Itália e da Eslováquia, com uma barreira removida.

A Islândia removeu oficialmente a sua primeira barreira, o mesmo acontecendo com a Macedónia do Norte, que se estreou com a remoção de duas barreiras.

Já no relatório do ano passado, sobre 2024, os números apontavam para a remoção de 542 barreiras, religando 2.900 quilómetros de rios. A Finlândia tinha removido 138, a França 128, a Espanha 96 e Portugal uma, como este ano.

A "Dam Removal Europe", uma coligação de seis organizações, destaca que a remoção das barreiras reforça a resiliência climática, aumenta a segurança hídrica e alimentar, impulsiona a biodiversidade e acelera a recuperação de ecossistemas de água doce.

Mas destaca também que se vêm estabelecendo recordes desde há cinco anos, como diz Merijn Hougee, da organização WWF Holanda, que fala de uma "verdadeira história de sucesso" na restauração de rios na Europa.

"De pouco mais de 100 remoções de barreiras anuais há seis anos para mais de 600 em 2025, isto demonstra a rapidez com que a restauração dos rios está a tornar-se comum e como o ímpeto está a crescer. Ao remover mais barreiras, podemos mostrar como a biodiversidade recupera e como podemos fortalecer a resiliência contra as alterações climáticas", disse, citada num comunicado sobre o relatório.

O número de países que aderem ao movimento também tem vindo a aumentar, chegando agora a 29. Entre eles a Dinamarca, o Reino Unido ou a França, com dezenas de remoções, a Alemanha com 15, a Bélgica com nove ou os Países Baixos com sete.

A organização explica no comunicado que a maioria das barreiras removidas em 2025 eram estruturas pequenas e obsoletas, como pontões ou açudes.

A Suécia removeu várias barragens de madeira, legado da longa história de silvicultura industrial do país, que canalizou e represou muitos rios para permitir que os troncos flutuassem rio abaixo.

A WWF regozija-se também com o empenho da Finlândia, em segundo lugar este ano e em primeiro no ano passado. "A Finlândia orgulha-se de mostrar que a remoção de barragens não só é possível, como também é uma das formas mais eficazes de restaurar os ecossistemas de água doce em toda a Europa", disse Sampsa Vilhunen, da WWF Finlândia.

No entanto, os autores do relatório frisam que os rios da Europa continuam fortemente fragmentados, com mais de 1,2 milhões de barreiras, de barragens a represas, de aquedutos a pontões, que interrompem os processos naturais.

Muitas dessas estruturas já não servem para nada mas continuam a bloquear o fluxo de água, sedimentos e nutrientes, e a impedir a movimentação de espécies.

A fragmentação "contribui significativamente" para a degradação dos ecossistemas e desempenhou um papel importante no declínio drástico da biodiversidade de água doce.

Citando um relatório recente da Comissão Europeia, o documento refere que "42% dos peixes de água doce da Europa classificados como ameaçados de extinção, enquanto quase dois terços apresentam uma elevada preocupação de conservação, seja por estarem ameaçados ou perto de se qualificarem para uma categoria de ameaça".

O Regulamento da UE sobre a Restauração da Natureza, que entrou em vigor em 2024, inclui a meta de restaurar pelo menos 25.000 quilómetros de rios a um estado de fluxo livre até 2030.

Esses esforços contribuem para as ambições globais do Desafio da Água Doce, que visa restaurar 300.000 quilómetros de rios degradados em todo o mundo até 2030.

A "Dam Removal Europe" é uma coligação que junta as organizações "World Wide Fund for Nature" (WWF), "The Rivers Trust", "The Nature Conservancy", "European Rivers Network", "Rewilding Europe" e "Wetlands International Europe" e tem como ambição restaurar o estado de fluxo livre dos rios e ribeiros da Europa.