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Moçambique conta 39 mortos em superstições de magia que atrofia órgãos genitais

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O número de mortos subiu para 39 em agressões ligadas a superstições de magia que atrofia órgãos genitais em Moçambique, anunciou ontem o ministro do Interior moçambicano, lamentando a perda de "muitas vidas" por "algo que não existe".

"Estes dados nos preocupam. São muitas vidas inocentes perdidas por causa de algo que não existe. Devemos nos unir contra este mal que, a prevalecer, poderá pôr em causa a nossa harmonia social", disse Paulo Chachine, durante a cerimónia de abertura do ano letivo da Escola de Sargentos da Polícia, em Sofala, no centro de Moçambique.

Segundo o governante, um total de 74 pessoas ficaram feridas e 132 estão detidas por envolvimento em atos de agressão física e linchamento de "cidadãos inocentes", em 93 casos registados, relacionados com boatos que correm em todo o país, com maior incidência nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa, no Norte de Moçambique, e na Zambézia, no centro, gerando pânico e desconfiança.

As superstições sobre o alegado atrofiamento, encolhimento e até desaparecimento de órgãos genitais, a partir de um toque, iniciaram-se em 18 de abril, na província de Cabo Delgado, e depois espalharam-se pelas restantes províncias, bem como nas redes sociais.

De acordo com informações e imagens que circulam nas redes sociais, já se vendem em Moçambique pulseiras elásticas, com um alfinete afixado, que supostamente travam o efeito da alegada magia.

Paulo Chachine pediu que a polícia aborte qualquer tentativa de desinformação que propicie a desordem pública, alertando para a urgência de se "desconstruir a narrativa" cuja finalidade, para o ministro, é de "retirar a população do trabalho produtivo, do trabalho que promove o desenvolvimento".

"Sejamos unidos, vigilantes e trabalhemos em conjunto para a erradicação deste mal. Denunciemos às autoridades toda e qualquer manifestação tendente a perturbar a ordem", acrescentou o ministro do Interior.

A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder desde 1975, pediu o reforço de ações de sensibilização para desencorajar as superstições.

Na quarta-feira, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), quarta força parlamentar, criticou o Governo moçambicano pela falta de soluções face à violência causada pelas superstições, exigindo ações concretas para travar estes casos.