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Madeira

JPP acusa Governo de "arrecadar milhões de euros à conta do brutal aumento do custo de vida"

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O Grupo Parlamentar do Juntos Pelo Povo (JPP) acusou, esta quinta-feira, o Governo Regional do PSD/CDS de "viver numa bolha, a encher diariamente os cofres da Região à conta de um custo de vida insuportável, de uma inflação que é quase o dobro da registada nos Açores e mais 1,3 pontos percentuais da verificada no continente, salários inferiores, uma taxa de IVA que é das mais elevadas das regiões ultraperiféricas, preço das casas e das rendas entre os cinco mais elevados de todo o país".

Numa acção política realizada junto ao Mercado dos Lavradores, o deputado Luís Martins chamou à atenção para o facto de "a Madeira estar a ser governada por um executivo que não aborda, deliberadamente, o custo de vida nem as dificuldades reais de quem trabalha, das famílias, dos jovens e das pequenas empresas, temos um governo que governa apenas para os seus e para alguns grupos económicos muito próximos da governação".

"Os governos são eleitos para resolver problemas reais das pessoas e apresentar medidas e soluções para o momento presente", prosseguiu o parlamentar. "Mas o que verificamos é um completo alheamento da realidade, um governo que teima em manter a Região com uma taxa de IVA das mais elevadas das regiões ultraperiféricas, agravando o preço do gás e da electricidade".

Luís Martins lembrou que a Comissão Europeia decidiu esta semana preparar um pacote de medidas em que recomenda aos Estados-membros que fixem preços máximos nos produtos energéticos, combustíveis, gás e eletricidade.

"Isto que a União Europeia vem dizer agora, é o que tem defendido o JPP nos últimos anos", contextualizou o parlamentar. "O JPP tem apresentado medidas para regular o preço do gás e descer a taxa do IVA na electricidade, mas o PSD/CDS limitam-se a chumbar essas iniciativas, ignorando as dificuldades das famílias, dos jovens e das empresas".

O parlamentar do maior partido da oposição acusou ainda o PSD/CDS de bloquearem a entrada de novas cadeias de supermercado na Região, como é o caso do Lidl, uma posição que "agrava fortemente o custo de vida por falta de concorrência, mantendo a Região fechada e sob o controlo de apenas duas grandes cadeias de distribuição alimentar quando existem regiões de média densidade no continente com três e quatro cadeias de supermercados".

À falta de concorrência nas cadeias de distribuição alimentar, o JPP acrescenta outro setor onde também "impera o monopólio, o do transporte de mercadorias, com preços que também agravam o custo de vida, e onde o Governo Regional de Miguel Albuquerque nada fez nos últimos dez anos para alterar este modelo, apesar de ter prometido baixar o custo com o transporte de mercadorias".

"Com esta crise, as pessoas percebem melhor a falta que faz a linha marítima por ferry de transporte de mercadorias e passageiros, que tem sido uma luta constante do JPP, sendo mais uma promessa falhada do PSD/CDS, que até já deixaram de falar do ferry a ver se esquece", sublinhou o deputado, acrescentando que a linha marítima "tem impacto directo no custo de vida, é estruturante para a economia regional e introduz concorrência num setor totalmente controlado sob proteção do Governo PSD/CDS".

Luís Martins referiu que o cabaz de bens essenciais atingiu esta semana os 260,89 euros, o valor mais elevado desde que a Deco Proteste iniciou a monitorização do preço de 63 produtos, em Janeiro de 2022. A organização de defesa do consumidor faz saber que o mesmo cabaz custa agora mais 73,19 euros do em 2022, ou seja, houve uma subida de quase 39 por cento.

Luís Martins considera "inaceitável" continuarmos a presenciar um Governo Regional "a gabar-se" dos recordes na arrecadação de impostos e no aumento do PIB, enquanto os trabalhadores, as famílias, os jovens e as pequenas empresas "passam os dias a fazer contas à vida".

O deputado comparou números, assinalando que entre 2015 e 2025, o PIB na Região cresceu 80%, mas os salários apenas 40%, no mesmo período de tempo, ou seja, metade do valor do PIB.

A isto acresce o agravamento no preço do cabaz de bens alimentares que, como referido antes e de acordo com a Deco, aumentou cerca de 39% entre 2022 e 2025, isto é, em apenas quatro anos, os bens essenciais consumiram praticamente todo crescimento salarial de uma década. "A perda de poder de compra dos madeirenses fica bem explícita neste exemplo", declarou o deputado Luís Martins.

"Como se vê, a receita recorde e o PIB milionário não chegam às pessoas, e perante esta realidade temos um Governo que em vez de zelar pelos interesses dos madeirenses, continua a preteri-los, em benefício de grupos económicos, privilegiando monopólios, e apostas em construções sem uso para a generalidade dos madeirenses, como os campos de golfe , que depois vai concessionar a privados , a preço de saldos, e enquanto isso os lares para idosos ficam por fazer e o acesso à habitação tornou-se basicamente impossível", finalizou.