DNOTICIAS.PT
Mundo

Moçambique vai vacinar cerca de 2,4 milhões de gado bovino contra a febre aftosa

None
Foto Shutterstock

O Governo moçambicano anunciou ontem a vacinação de cerca de 2,4 milhões de gado bovino contra a febre aftosa, para prevenir a ocorrência de doenças nos animais que possam comprometer os níveis de produção e produtividade pecuária nacional.

"Entre várias medidas, o governo está a implementar esta campanha nacional de vacinação animal que prevê a vacinação de cerca de 2,4 milhões de bovinos", disse o Secretário de Estado do Mar e Pescas, Momade Juízo, durante o lançamento da Campanha Nacional de Vacinação Animal, no distrito de Magude, província de Maputo.

Segundo o responsável, na presente campanha, onde se prevê ainda vacinar cerca de 2,4 milhões de bovinos contra o carbúnculo hemático, um milhão contra o carbúnculo sintomático, 1,3 milhão contra a dermatose nodular e 20 mil bovinos contra a febre do Vale do Rift, Magude irá vacinar mais animais por ser um dos maiores criadores.

"O distrito de Magude está previsto para esta campanha a vacinação de mais de 111 mil bovinos", assinalou Momade Juízo.

Em comunicado divulgado hoje, o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP) assinalou que o Governo moçambicano está determinado em prevenir a ocorrência de doenças nos animais - particularmente nos bovinos -, que possam comprometer os níveis de produção e produtividade pecuária, com impactos significativos na economia nacional.

"Para além dos bovinos, prevê-se ainda, ao longo do ano, a vacinação de mais de 44 milhões de galinhas do sector familiar contra a doença de Newcastle, bem como a imunização de mais de 300 mil cães e gatos contra a Raiva.", refere-se no documento.

De acordo com o MAAP, a determinação do Governo relativamente à vacinação animal reforça o papel do sector pecuário como um dos pilares fundamentais da economia nacional, com contribuição significativa para a segurança alimentar e nutricional, geração de rendimento e criação de emprego para jovens e mulheres, tanto nas zonas rurais como urbanas.

Em 14 de abril, o Governo avançou que o número de focos de doença animal em Moçambique aumentou 63% em 2025, para 542, matando 25 mil bovinos, antecipando o lançamento da campanha de vacinação nas áreas de risco.

"No que concerne à saúde animal, durante o ano 2025 foram reportados 542 focos de doenças animais, comparativamente a 332 no período homólogo de 2024 (...) e o registo de morte em bovinos na ordem de 24.929, causados por doenças de origem animal", disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Salim Valá, ao fim da sessão semanal daquele órgão, em Maputo.

Segundo o responsável, o Governo já avançou com restrições na movimentação de animais nas zonas afetadas por doenças, incluindo o reforço da vigilância epidemiológica e a inspeção clínica sistemática de animais nessas áreas.

Em novembro de 2025, os criadores de gado bovino na província de Gaza estimaram que perderam mais de 100 mil animais em oito anos devido a doenças provocadas por carraças, apontando dificuldades do Governo em apoiar no combate.  

A primeira-ministra de Moçambique, Maria Benvinda Levi, pediu, em agosto, investimento na criação de gado para melhorar a dieta alimentar nacional e colocar o país na rota do comércio internacional, apelando também para a "concentração" na produção de qualidade, tanto para a de carne como para leite e outros derivados.