De dois trabalhadores a uma empresa com 5 milhões de facturação em 6 anos
Bruno começou com apenas dois trabalhadores e pequenos trabalhos em moradias. Seis anos depois, lidera uma empresa de construção civil com cerca de 5 milhões de euros de facturação anual, 13 obras em curso e uma carteira de clientes que já obriga a marcar projectos para o próximo ano.
A ‘Permanente Caprice’, formalmente constituída em 2023, ganhou dimensão rapidamente após dois projectos de relevo na Região, a recuperação do Innotel e da Quinta do Lorde, que ajudaram a consolidar a sua posição num mercado exigente.
Bruno Aveiro, o empresário por detrás da empresa construiu o negócio a partir da experiência acumulada desde muito jovem. “Trabalho na construção desde os 13 anos, passei por grandes empresas, algumas que ainda existem, outras que já desapareceram”, recorda.
Antes de avançar por conta própria, trabalhava nas áreas de fiscalização e gestão de projecto, apoiando outras empresas. “Ajudava muitos a crescer com o meu conhecimento e achei que estava na altura de fazer o mesmo por mim”, explica.
O arranque foi modesto, mas com envolvimento directo. “Começamos com dois trabalhadores, eu próprio estava no terreno, a assentar blocos com eles”, conta.
Hoje, a empresa conta com cerca de 90 trabalhadores, todos integrados nos seus quadros, e opera maioritariamente no sector privado, que representa cerca de 98% da actividade, apostando num posicionamento assente na qualidade. “Investimos num produto de excelência, é isso que nos distingue”, afirma.
Apesar do crescimento, recusa expandir de forma acelerada. “Se quisesse, contratava mais 100 pessoas, há trabalho para isso. Mas não queremos crescer mais porque a qualidade iria baixar”, garante antes de pedirmos para se posicionar para a fotografia.
Actualmente, gere 13 obras em simultâneo, desde moradias a blocos de apartamentos, passando pela remodelação e reabilitação de edifícios, área que já representa cerca de 40% do negócio. “Estou todos os dias em todas as obras, faço questão de acompanhar tudo de perto”, sublinha.
Num sector marcado pela escassez de mão-de-obra, cerca de 30% dos trabalhadores são estrangeiros, oriundos de países como São Tomé, Cabo Verde e Nepal. “Exige formação e acompanhamento, mas têm sido uma mais-valia”, admite.
A falta de trabalhadores qualificados está também a acelerar a aposta em novas soluções construtivas, nomeadamente o sistema LSF, baseado em estruturas pré-fabricadas. A empresa já utiliza esta tecnologia na Região e pondera avançar para a sua própria produção. “Com este método conseguimos reduzir o tempo de construção de uma moradia de 12 a 14 meses para cerca de cinco a sete meses. O preço é semelhante, o ganho está na rapidez”, explica.
A procura tem sido tal que a empresa já recusa trabalhos com execução imediata. “Aceitamos clientes que nos procuram por referência, mas já estamos a apontar para o próximo ano”, diz, acrescentando que recebe pedidos de orçamento praticamente todos os dias.
O percurso foi feito com sacrifício pessoal. “Sou sempre o primeiro a chegar e o último a sair. O mais difícil foi o tempo que deixei de dar à família”, admite.
Quanto ao segredo do sucesso, aponta para a persistência. “Meti na cabeça que ia ter uma empresa. Não imaginava que fosse chegar aqui, mas o mercado também ajudou”, reconhece.
Sem receio do trabalho no terreno, mantém a mesma postura desde o início. “Posso estar numa obra a trabalhar ao lado de um pedreiro. Não tenho problema nenhum com isso, aliás comecei assim, assentar blocos”, conclui.