Florestas tropicais recuperam grande parte da biodiversidade em 30 anos
A regeneração natural das florestas tropicais pode restaurar grande parte da sua biodiversidade em apenas três décadas, um processo no qual aves, morcegos e abelhas desempenham um papel fundamental.
Um estudo publicado na revista científica "Nature" conclui que as florestas tropicais secundárias -- aquelas que se regeneram após o abandono de terras agrícolas ou degradadas -- recuperam mais de 90% da abundância e biodiversidade de espécies presentes nas florestas primárias em cerca de 30 anos, bem como aproximadamente 75% da sua composição original.
A investigação analisa a recuperação de diferentes grupos biológicos nas florestas tropicais e indica que espécies como as aves frugívoras (aquelas que se alimentam principalmente de frutos), os morcegos e as abelhas desempenham um papel fundamental nas fases iniciais da regeneração, atuando como dispersores naturais de sementes e polinizadores.
Os cientistas defendem que estes grupos impulsionam, e não são meros acompanhantes, a recuperação das árvores, uma vez que exibem elevadas taxas de resiliência e de retorno após perturbações ambientais.
O estudo revela, no entanto, que a biodiversidade não recupera de forma uniforme e que alguns organismos (especialmente certas bactérias do solo) apresentam uma elevada resistência a perturbações, mas uma capacidade de recuperação muito baixa, o que pode levar a processos de "regeneração estagnada".
Além disso, os investigadores alertam que a restauração completa da composição original de espécies pode exigir "várias décadas" adicionais, especialmente em regiões com "baixa cobertura florestal" ou sujeitas a intensa pressão humana.
E alertam que a maioria das florestas tropicais secundárias do mundo tem menos de dez anos e é novamente explorada ou perturbada a intervalos curtos, o que a impede de atingir o seu pleno potencial como reserva da biosfera.
"O abandono de terras agrícolas constitui uma estratégia de restauro eficaz e rentável", sublinha o estudo, considerando crucial alargar os prazos dos planos de gestão florestal para cumprir os objetivos internacionais de conservação promovidas pela Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas.
Os investigadores analisaram também 32 estudos anteriores sobre a restauração florestal em diferentes regiões tropicais e comprovaram que a recuperação da diversidade de espécies é geralmente muito mais rápida do que a restauração completa da composição ecológica original.
O estudo conclui ainda que fatores aparentemente determinantes, como a idade reprodutiva das espécies, o grau de dispersão ou o nível trófico, não explicam, por si só, os tempos de recuperação dos ecossistemas.
Em vez disso, os cientistas sugerem que as complexas interações ecológicas entre espécies --- desde a predação ao mutualismo e à competição --- podem ter um impacto muito maior na capacidade das florestas tropicais se regenerarem após décadas de degradação.