Adani aceita pagar 236 ME aos EUA por compra de petróleo iraniano sujeito a sanções
O conglomerado indiano Adani aceitou pagar 275 milhões de dólares (236 milhões de euros) para pôr fim a uma investigação nos Estados Unidos ligada à compra de gás de petróleo liquefeito (GPL) de origem iraniana, anunciou hoje Washington.
Segundo o Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC), organismo do Departamento do Tesouro responsável pela aplicação destas sanções, a empresa era suspeita de ter violado as sanções impostas pelos Estados Unidos ao adquirir, em 32 ocasiões, GPL proveniente do Irão entre novembro de 2023 e junho de 2025.
"[O GPL] foi adquirido a um comerciante com sede no Dubai que alegava fornecer gás oriundo de Omã e do Iraque. Existiam sinais de alerta que deveriam ter indicado à empresa que o GPL provinha, na realidade, do Irão", considerou o OFAC.
Segundo a mesma fonte, a Adani recorreu a instituições financeiras norte-americanas para liquidar mais de 192 milhões de dólares (165 milhões de euros).
A empresa informou, em fevereiro, que estava a cooperar com as autoridades norte-americanas no âmbito desta investigação.
A Adani contactou o OFAC depois de o jornal norte-americano Wall Street Journal ter revelado, em junho de 2025, que as suas compras de GPL estavam a ser analisadas pela justiça dos Estados Unidos.
A Adani é um conglomerado com atividades em setores que vão da energia aos portos, passando pelo cimento e pelos meios de comunicação social.
O grupo é liderado pelo multimilionário Gautam Adani, considerado próximo do primeiro-ministro nacionalista hindu, Narendra Modi.
Em novembro de 2024, Gautam Adani foi acusado de corrupção nos Estados Unidos, por suspeitas de envolvimento no pagamento de subornos a funcionários indianos para garantir contratos no setor da energia solar na Índia, em prejuízo de investidores norte-americanos.
Na sexta-feira, o grupo anunciou o pagamento de uma multa de 18 milhões de dólares (15,4 milhões de euros) no âmbito deste caso, sem reconhecer qualquer culpa.