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ONU lamenta que diálogo na Somália termine sem resolução da crise institucional

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A missão da ONU na Somália lamentou hoje que a última ronda de consultas entre o governo e a oposição somali tenha terminado sem resolver as principais disputas sobre a transição política do país.

A Missão de Assistência Transitória da ONU na Somália (UNTMIS) saudou o reinício do diálogo em Mogadíscio, entre 13 e 15 de maio, mas considerou "lamentável que mais uma vez o diálogo tenha terminado sem resolver as principais disputas", de acordo com um comunicado.

As reuniões coincidiram com uma data crítica para o país, uma vez que o mandato de quatro anos do Presidente somali, Hassan Sheikh Mohamud, expirou formalmente na passada sexta-feira, após o que o prolongamento de um ano aprovado pelo parlamento, em março, foi ativado no meio da oposição.

"À medida que a Somália entra num período de transição, a UNTMIS espera que, durante esta fase, o governo federal somali dê prioridade ao diálogo com todas as partes interessadas para construir consensos em torno de um modelo eleitoral prático e unificador", de acordo com um documento publicado nos meios de comunicação locais.

A ONU instou ainda os atores políticos a exercerem moderação e a unirem-se para enfrentar a "grave crise humanitária" e a "persistente ameaça do terrorismo", reiterando a vontade de trabalhar com outros parceiros internacionais para ultrapassar as divisões entre os líderes do país.

De acordo com a Constituição interina da Somália de 2012, o mandato presidencial de quatro anos devia expirar a 15 de maio, mas as alterações constitucionais aprovadas pelo parlamento em março alargaram o mandato presidencial para cinco anos.

A medida não foi aceite por todos os agentes políticos da Somália, um país dividido em diferentes administrações regionais com um elevado grau de autonomia, e é vista pelos críticos como uma usurpação ilegal de poder.

Esta crise política desenrola-se à medida que a Somália luta contra o grupo terrorista Al-Shabaab, que controla as zonas rurais do centro e sul do país e ataca países vizinhos como o Quénia e a Etiópia.

A Somália também está mergulhada em conflitos e caos desde 1991, quando o ditador Mohamed Siad Barre foi deposto.

A UNTMIS apoia a transição política na Somália com o objetivo de promover o diálogo inclusivo e o consenso sobre o modelo eleitoral entre o governo e a oposição.

Coordena também esforços com parceiros internacionais para reforçar a governação democrática, preservar a paz e a segurança e ajudar a mitigar a crise humanitária e a ameaça terrorista no país.