Israel é responsável por quase dois terços das mortes de jornalistas em 2026
Dezasseis dos 27 jornalistas mortos este ano no mundo foram vítimas de ataques israelitas, denunciou a ONG Campanha Emblema de Imprensa, em vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se assinala no domingo.
Isto revela que só Israel foi responsável por quase dois terços do total de jornalistas assassinados, numa média de um morto por semana, enquanto as restantes mortes se distribuíram por oito países diferentes.
"É lamentável que um único governo, supostamente uma democracia, seja responsável por quase dois terços das vítimas, o que demonstra uma inaceitável falta de respeito pela vida civil e pela independência dos meios de comunicação", afirmou em comunicado o presidente da Campanha Emblema de Imprensa (PEC, na sigla em inglês), Blaise Lempen.
O responsável máximo da organização, que acompanha de forma atualizada os ataques a jornalistas em todo o mundo, acrescentou que muitos destes ataques são deliberados e podem, por isso, ser considerados crimes de guerra.
A PEC sublinhou que os pretextos invocados por Israel, que afirma que alguns dos jornalistas mortos estariam ligados ao Hamas ou ao Hezbollah, "não justificam a sua eliminação, se não estavam a atuar como combatentes".
Segundo a ONG, estes crimes continuam sem investigação, aumentando uma situação de impunidade que incentiva novos assassínios, enquanto persistem as restrições ao acesso da imprensa internacional à Faixa de Gaza.
Em concreto, dos jornalistas mortos este ano ligados ao conflito no Médio Oriente, nove foram no Líbano, seis em Gaza, um no Irão e outro na Síria.
No resto do mundo, a PEC contabiliza cinco vítimas mortais na América Latina (duas no México, duas na Venezuela e uma na Guatemala), bem como casos no Bangladesh, Somália, Filipinas, Uganda e Índia.
O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, também assinalou a data com uma declaração em que reconheceu que o jornalismo "se tornou uma profissão insegura e, por vezes, perigosa".
Türk lamentou que, nos últimos 20 anos, apenas um em cada dez assassínios de jornalistas tenha sido julgado e condenado, e sublinhou que a guerra de Israel em Gaza se tornou uma "armadilha mortal" para os meios de comunicação, com quase 300 jornalistas mortos desde o início do conflito em outubro de 2023.
Recordou ainda que cerca de 330 jornalistas e profissionais da comunicação social permanecem detidos em todo o mundo por exercerem a sua profissão.
"A imprensa é o oxigénio de uma sociedade livre e aberta, alimenta o debate público e pode gerar confiança, sustentando a coesão social, a resiliência e a segurança", resumiu o responsável das Nações Unidas para os direitos humanos.