Inteligência Artificial une comunidade tecnológica no Colégio dos Jesuítas
Evento reúne dez startup's internacionais
O Colégio dos Jesuítas, no Funchal, acolheu, esta quarta-feira, a sessão prática 'Peer-2-Peer Masterclass | AI / Tech Powered Experiences', promovida pela Startup Madeira em parceria com a Google Developers Group Madeira (GDG), no âmbito da 7.ª edição do Madeira Startup Retreat.
A iniciativa reúne dez startups internacionais integradas no programa de aceleração, bem como empreendedores, estudantes, empresários e representantes institucionais, num encontro dedicado à aplicação prática da Inteligência Artificial (IA) em contextos reais.
Durante 90 minutos, o evento assume um formato colaborativo, centrado na partilha de experiências entre fundadores, programadores e profissionais do sector tecnológico. O objectivo passa por demonstrar ferramentas de IA que estão a marcar o mercado e discutir processos de desenvolvimento de produtos digitais, criando pontes entre a comunidade local e os participantes internacionais.
Micaela Vieira, gestora de projectos da Startup Madeira, explica que a masterclass surge integrada na dinâmica do Madeira Startup Retreat, programa de aceleração focado nas áreas do turismo, viagens e lazer, apoiado pelo Turismo de Portugal.
“Estamos na sétima edição consecutiva e já passaram pela Madeira mais de 60 startups internacionais. Aproveitam a Região como um laboratório vivo para testar produtos e serviços e criar ligações ao ecossistema regional”, sublinhou.
Segundo a responsável, o impacto do programa tem sido visível. “Temos exemplos de empreendedores que abriram canais de negócio na Madeira ou criaram spin-offs a partir das parcerias estabelecidas aqui. A ideia é precisamente fomentar estas ligações e gerar oportunidades concretas para a Região”, afirmou.
Nesta edição, participam startups oriundas de países como Brasil, Estónia e Estados Unidos, envolvendo cerca de 23 empreendedores internacionais.
Para além das equipas estrangeiras, o evento contou com mais de 40 inscritos locais, entre estudantes, empresários e representantes do Governo Regional. “Hoje é um dia para conhecer o talento que existe na Madeira e perceber como a tecnologia pode ser uma ferramenta positiva para acelerar negócios”, acrescentou Micaela Vieira.
Também Diogo Freitas, professor na Universidade da Madeira e um dos dinamizadores do GDG Madeira, reforçou a importância da formação contínua na área tecnológica. O grupo nasceu da iniciativa de antigos estudantes que sentiram a necessidade de criar uma comunidade de apoio aos profissionais da área.
“Organizamos workshops quase todos os meses para acompanhar a evolução tecnológica. A Inteligência Artificial está a progredir muito rapidamente e este evento serve para introduzir as ferramentas que estão a ser usadas tanto pela nossa comunidade como pelas startups internacionais”, explicou.
Com mais de 80 formandos ao longo de seis anos de actividade, o GDG Madeira aposta numa lógica de formação gratuita e aberta. “A IA não vem substituir o trabalho humano, mas sim assisti-lo. Tal como ensinamos as crianças a usar garfo e faca, temos de ensinar os adultos a trabalhar com a Inteligência Artificial”, frisou Diogo Freitas.
Entre as startups participantes está a 'Simplifyer', aplicação de finanças pessoais direccionada inicialmente à geração Z. A fundadora, Isabel Carapeta, vê na Madeira uma oportunidade de testar a solução junto do sector do turismo e da hotelaria. “Queremos ser a aplicação mais compreensiva na área das finanças pessoais. A nossa solução integra budgeting, divisão de despesas e digitalização de recibos, ajudando os utilizadores a compreender melhor a sua vida financeira”, explicou.
A estratégia passa por iniciar projectos-piloto com hotéis e restaurantes, com vista à expansão internacional.
Já Marcos Trento apresentou a 'E-Trilhas', uma aplicação focada no ecoturismo que pretende ligar comunidade, sustentabilidade e natureza.
A plataforma disponibiliza trilhos considerados confiáveis, mapas offline e um sistema de alertas em tempo real. “Se um utilizador encontrar um obstáculo numa levada, pode gerar um alerta que chega a parceiros ou voluntários que possam ajudar”, referiu, acrescentando que o objectivo é estabelecer parcerias regionais para integrar as levadas da Madeira na aplicação.