Miguel Silva Gouveia devolve ataques a Carlos Rodrigues e recorda tragédia do Monte
Antigo presidente da Câmara do Funchal acusa o actual vice-presidente de ter "memória curta" e de recorrer a insultos para evitar o escrutínio
"Com este vasto currículo de verborreia agressiva, facilmente verificável com uma pesquisa na imprensa ou em atas públicas, assenta-lhe mal o papel de virgem política ofendida", respondeu o ex-autarca.
Miguel Silva Gouveia respondeu, este domingo, às duras críticas de Carlos Rodrigues, vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal, acusando-o de ter "memória extraordinariamente curta" e de confundir o escrutínio político com o aproveitamento de uma tragédia.
O antigo autarca recuperou as posições assumidas por Carlos Rodrigues após a tragédia do Monte, em 2017, e insistiu na necessidade de apurar responsabilidades políticas pelas inundações registadas durante a passagem da depressão Bruna.
"Há quem tenha uma memória extraordinariamente curta e uma desavergonhada facilidade em confundir o escrutínio político com o aproveitamento de uma tragédia. Sobretudo quando as responsabilidades políticas deixam de ser dos outros e passam a ser suas", escreveu Miguel Silva Gouveia, numa extensa publicação no Facebook.
A reacção surge depois de Carlos Rodrigues ter classificado como "asqueroso, soez, baixo, rasteiro" o aproveitamento político dos efeitos da tempestade, na sequência de duas publicações do antigo presidente da autarquia sobre os túneis da Cota 40 e o ordenamento do território.
Carlos Rodrigues acusa Miguel Silva Gouveia de fazer política com o mau tempo
Vice-presidente da Câmara do Funchal reagiu às publicações do antigo autarca sobre as inundações e as obras na cidade
Miguel Silva Gouveia devolveu os adjectivos ao actual vice-presidente, recordando as críticas que este dirigiu a Paulo Cafôfo após a queda de uma árvore no Monte, em Agosto de 2017, que provocou 13 mortos.
"O vereador da CMF, responsável pelos pelouros das estradas e das obras, que hoje considera "asqueroso, soez, baixo e rasteiro" questionar as responsabilidades políticas pelas inundações no Funchal, talvez devesse recordar as suas próprias "asquerosas, soezes, baixas e rasteiras" declarações sobre a tragédia do Monte", escreveu.
Nove pessoas realojadas após inundações e danos em habitações
Proteção Civil contabiliza quatro ocorrências que afectaram habitações, três das quais no Funchal e uma em Santa Cruz
E acrescentou: "Com este vasto currículo de verborreia agressiva, facilmente verificável com uma pesquisa na imprensa ou em atas públicas, assenta-lhe mal o papel de virgem política ofendida".
O antigo presidente considera que as inundações não podem ser encaradas apenas como uma consequência inevitável da chuva intensa, defendendo que as opções urbanísticas também devem ser discutidas.
As inundações que voltaram a afectar o Funchal não podem ser tratadas como uma fatalidade meteorológica perante a qual os responsáveis políticos apenas aparecem para acompanhar ocorrências e lamentar prejuízos. Miguel Silva Gouveia
Miguel Silva Gouveia aponta o dedo à impermeabilização dos solos, à capacidade das redes de drenagem pluvial e às decisões sobre o ordenamento do território, acusando o PSD de favorecer os interesses dos promotores imobiliários.
Quando se substituem solos permeáveis por betão e asfalto, aumenta-se o escoamento superficial e a pressão sobre as redes de pluviais. Isto não é ideologia, é hidráulica.
Condutor enfrenta 'ribeiro' na estrada
Um condutor madeirense enfrentou esta noite um autêntico rio que se formou na estrada por onde subia, possivelmente a caminho de casa.
O antigo autarca voltou também à situação dos túneis da Cota 40, recordando que o executivo do PSD promoveu intervenções naquela infraestrutura em 2023, sem que, segundo critica, tenham deixado de existir problemas de inundação.
"A escolha das prioridades de investimento público é uma decisão política, e é legítimo questionar por que razão um problema de drenagem conhecido continua a condicionar a segurança e a mobilidade dos funchalenses", escreveu.
Miguel Silva Gouveia reagiu ainda à afirmação de Carlos Rodrigues de que estava na Protecção Civil do Funchal a acompanhar as ocorrências provocadas pelo mau tempo.
Estar na Protecção Civil a acompanhar uma ocorrência é cumprir uma obrigação institucional. Não é um favor à cidade, nem constitui um salvo-conduto para fugir ao escrutínio das decisões políticas. Miguel Silva Gouveia
E estabeleceu uma distinção entre as duas posições: "Eu questiono opções políticas, prioridades de investimento e resultados concretos. O autarca do PSD prefere responder com insultos pessoais e proclamações de superioridade moral".
Para reforçar a acusação de incoerência, recordou igualmente que Pedro Calado, em Março de 2021, considerou legítimo criticar a Câmara do Funchal por alegada falta de prevenção perante um temporal. "A coerência não pode depender de quem ocupa o poder", atirou.
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A Estrada Monumental junto ao Continente, perto da rotunda, está completamente alagada, obrigando as viatura s avançarem com cautela.
Na parte final da publicação, Miguel Silva Gouveia deixou elogios aos funcionários municipais que têm estado envolvidos na resposta ao mau tempo, contrapondo o seu profissionalismo à actuação dos responsáveis políticos. "Se pior não está, será também porque há trabalhadores municipais zelosos que evitam males maiores. O que falta em liderança política é compensado pelo profissionalismo de quem trabalha", afirmou.
O antigo presidente concluiu com uma última crítica ao executivo: "A memória não se apaga com uma publicação no Facebook. E as responsabilidades políticas não podem continuar a ficar debaixo de água".