PS quer conhecer custos reais do transporte de mercadorias para a Madeira
Gonçalo Leite Velho defendeu a criação de um observatório do transporte marítimo de mercadorias e alertou que as dificuldades dos consumidores madeirenses vão além das práticas de 'geoblocking'
O deputado do PS Gonçalo Leite Velho considerou que a discriminação dos consumidores das Regiões Autónomas nas compras online é um problema real, mas defendeu que a resposta não pode limitar-se às questões do 'geoblocking'. Na sua intervenção, apontou também as dificuldades dos serviços postais, os problemas de logística e os custos do transporte marítimo de mercadorias para a Madeira.
O socialista destacou que as queixas dos consumidores justificam uma actuação mais proactiva das entidades competentes e considerou importante que o processo legislativo tenha ouvido diferentes intervenientes e contributos da sociedade.
Gonçalo Leite Velho defendeu, contudo, que algumas matérias terão de ser tratadas a nível europeu, nomeadamente as relacionadas com o 'geoblocking'. Considerou que é necessário actuar em diferentes planos, uma vez que os constrangimentos enfrentados pelos consumidores madeirenses não se resumem às limitações impostas pelas lojas online.
O deputado chamou a atenção para os atrasos e dificuldades na distribuição de encomendas, mas sobretudo para os custos do transporte marítimo. Questionou se os valores mais elevados cobrados para a Madeira correspondem efectivamente a custos de transporte superiores ou se resultam de práticas das próprias empresas.
"Quem sabe? Ninguém sabe responder", afirmou, defendendo a necessidade de apurar qual é o custo real do transporte de mercadorias para a Região.
Nesse sentido, recordou a proposta do PS para a criação de um observatório do transporte marítimo de mercadorias, que permitiria conhecer melhor os custos e avaliar a competitividade do transporte. Gonçalo Leite Velho lamentou que a iniciativa não tenha avançado anteriormente, mas considerou positivo que o PSD tenha agora incluído esta preocupação na discussão.
Para o socialista, conhecer os custos efectivos é essencial para distinguir os encargos legítimos de eventuais obstáculos criados pelas empresas e encontrar respostas para os prejuízos suportados pelas famílias e pelos agentes económicos da Madeira.