Alemanha participa em exercícios para futura missão de paz
A Alemanha vai participar em novembro, na Polónia, nos primeiros exercícios militares da chamada Coligação da boa vontade sobre a Ucrânia, destinados a preparar uma eventual missão internacional de segurança após um cessar-fogo com a Rússia.
Uma porta-voz do Comando Operacional das Forças Armadas alemãs (Bundeswehr) confirmou hoje que Berlim disponibilizará dois aviões de transporte A400M para operações de reabastecimento aéreo, além de cerca de uma dezena de oficiais superiores.
"Além disso, através do 'eixo logístico Alemanha', apoiaremos as forças dos nossos parceiros na sua passagem pelo território alemão, colocando à sua disposição serviços logísticos", explicou o porta-voz.
Os exercícios, designados "KOALICJA 2026", terão como principal cenário a Polónia, mas incluirão também operações no espaço aéreo da Roménia e na região ocidental do mar Negro.
Segundo o jornal britânico The Times, está prevista a participação de pelo menos 1.500 militares do Reino Unido, França e Alemanha, além de forças polacas, numa operação destinada a ensaiar uma eventual missão de paz na Ucrânia.
O ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, afirmou, por sua vez, que milhares de militares participarão nas manobras para garantir a preparação das forças internacionais para apoiar a Ucrânia após o fim das hostilidades.
"No próximo mês, milhares de militares participarão num grande exercício na Polónia para garantir que estamos preparados para apoiar a formação militar e a reconstrução do pós-guerra de que a Ucrânia necessitará", declarou o ministro.
A realização dos exercícios foi anunciada em julho, após uma cimeira em Paris dos líderes da Coligação da boa vontade sobre a Ucrânia, uma iniciativa liderada pelo Reino Unido e pela França que reúne cerca de 30 países, incluindo Portugal.
Os membros da coligação manifestaram disponibilidade para contribuir, de diferentes formas, para garantir a segurança da Ucrânia e apoiar a manutenção de uma eventual paz com a Rússia.
As manobras decorrem num momento em que se intensificam os esforços diplomáticos para encontrar uma solução negociada para o conflito, iniciado com a invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022.
Para novembro está também prevista a retoma das negociações trilaterais entre a Ucrânia, a Rússia e os Estados Unidos, interrompidas desde fevereiro, na sequência da ofensiva norte-americana contra o Irão.
O anúncio foi feito na semana passada pelas partes envolvidas, depois de o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter apresentado ao enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, uma proposta para relançar as conversações.
Kiev tem insistido na necessidade de obter garantias internacionais de segurança que impeçam uma nova agressão russa após um eventual acordo de paz.