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Rei de Espanha cita Camões para pedir comunidade ibero-americana com uma "sociedade mais justa"

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Foto EPA/Daniel Gonzalez

O Rei de Espanha, Felipe VI, inaugurou hoje a 30.ª Cimeira Ibero-Americana com uma citação de Camões, para que aquela comunidade siga por "mares nunca dantes navegados" rumo a "uma sociedade mais justa".

"Sigamos traçando o caminho que nos levou de Guadalajara a Madrid, e que dentro de dois anos nos levará, 'por mares nunca dantes navegados', como dizia Camões, até um país que amanhã assume com entusiasmo a sua primeira secretaria 'pro tempore', Honduras. Um caminho que nos obriga a trabalhar para uma sociedade mais justa, mais próspera, e mais inclusiva", declarou Felipe VI.

O monarca espanhol defendeu que a cimeira que se realiza hoje e quinta-feira em Madrid é uma oportunidade para reivindicar uma comunidade de 22 países "com factos, conquistas tangíveis".

"Para continuarmos a proclamar ao mundo o nosso compromisso claro e sustentável como ibero-americanos, com a palavra, o diálogo, a igualdade, o respeito pelas normas, a escuta das minorias, a ciência, o empreendedorismo, a inovação, o nosso compromisso com os avanços sociais, que cheguem a todos e sejam para todos", declarou.

Felipe VI intervinha na cerimónia de inauguração da Cimeira Ibero-Americana, no Teatro Real de Madrid, em que a cantora portuguesa Carminho atuou perante os representantes dos 22 países que formam aquela comunidade, assim como do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, convidados especiais do encontro.

Portugal está representado pelo Presidente da República, António José Seguro, e pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, que entraram juntos no Teatro Real e foram fotografados juntos.

Na sua intervenção, o Rei de Espanha fez a defesa da comunidade ibero-americana e do seu sistema de cimeiras, iniciado em Guadalajara, no México, em 1991, "não só pelo seu impacto positivo, em tantos âmbitos, mas também como um exemplo de entendimento e cooperação, como um contraponto às tensões e rivalidades.

"Como prova viva de que os processos de concertação política não são retórica vazia, mas sim redundam em benefício do dia-a-dia da vida dos cidadãos", sustentou.

Nesta Cimeira Ibero-Americana estão representados por chefes de Estado e Governo , além de Portugal e Espanha, Andorra, Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Guatemala, Honduras e República Dominicana, sendo que os presidentes do Brasil (Luiz Inácio Lula da Silva) e do México (Claudia Sheinbaum), os dois maiores Estados-membros em termos de população, estarão ausentes.

O Governo espanhol espera "cinco grandes resultados" do encontro, materializados em vários acordos como o que cria a rede ibero-americana de redução do risco de desastres e proteção civil, uma proposta originalmente apresentada por Portugal em 2024.

Deverá ainda sair da cimeira uma "aliança ibero-americana para a Inteligência Artificial", um acordo para a "mobilidade académica", outro sobre cuidados e apoio social a pessoas idosas e com necessidades específicas e uma nova estratégia de cooperação entre os países ibero-americanos, que visa atualizar a anterior e colocar ênfase na "cooperação triangular e na cooperação sul-sul".

As cimeiras ibero-americanas realizam-se a cada dois anos e Portugal propôs ser o anfitrião da de 2030, que se seguirá à de 2028, nas Honduras.

A comunidade é composta por três países europeus (Portugal, Espanha e Andorra) e 19 latino-americanos (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, México, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Cuba e República Dominicana).

Em Madrid passará a ter 15 países observadores permanentes, com a incorporação de Angola, Índia e Turquia a um grupo de que fazem parte a Alemanha, Bélgica, Coreia do Sul, Filipinas, França, Haiti, Hungria, Itália, Japão, Luxemburgo, Marrocos e Países Baixos.