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Seguro espera que Cimeira Ibero-Americana seja "afirmação da paz e dos direitos humanos"

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O Presidente da República português, António José Seguro, disse esperar que a 30.ª Cimeira Ibero-Americana, que se realiza hoje e quinta-feira em Madrid, seja um momento relevante de "afirmação da paz e dos direitos humanos".

"Espero que seja um momento relevante para a afirmação da cooperação dentro da comunidade, entre os dois lados do Atlântico e, simultaneamente, que seja uma projeção dos valores que estiveram na base da constituição desta comunidade, designadamente a afirmação da paz e a defesa dos direitos humanos", afirmou António José Seguro, em Madrid.

António José Seguro foi confrontado com a ausência dos presidentes do Brasil, Lula da Silva, e do México, Claudia Sheinbaum, e contrapôs com um maior número de representações ao nível de chefes de Estado e de Governo, face à última cimeira, que decorreu no Equador em 2024, com um recorde de ausências e apenas três chefes de Estado, de Portugal, Espanha e Equador, e o chefe do Governo de Andorra.

"Vai haver mais presenças do que houve na última cimeira e isso é um sinal de esperança. Neste momento está-se a finalizar os últimos detalhes da declaração final", salientou Seguro.

O chefe de Estado português falava à margem de uma iniciativa paralela à Cimeira Ibero-Americana, onde esteve acompanhado pelo Rei de Espanha, Felipe VI, e o chefe do Governo de Andorra, Xavier Espot Zamora.

"O mundo precisa de paz e eu espero que daqui saia um apelo veemente e, sobretudo, que saiam ações por parte dos Estados, quer no âmbito das Nações Unidas, quer no âmbito das relações bilaterais, para que as condições da paz possam ocorrer", sustentou.

Questionado sobre que papel pode a Cimeira Ibero-Americana ter com os conflitos em curso na Ucrânia e no Médio Oriente, Seguro respondeu que "a realidade internacional é bastante dinâmica e está bastante dinâmica e tem havido vários sinais que vão no sentido, precisamente, de as pessoas perceberem que é preciso parar com este sofrimento".

O Presidente sublinhou o "sofrimento que vivem as populações que estão diretamente afetadas, designadamente na Ucrânia, mas também no Médio Oriente" e o sofrimento que "todos acabam por passar" no mundo, "inclusivamente em Portugal".

Neste contexto, Seguro referiu "o aumento dos preços dos combustíveis, o aumento do preço da alimentação, o aumento do preço da habitação", que "traduz-se em sofrimento para as famílias e, sobretudo, para os mais vulneráveis".

"A paz não é um conceito abstrato, é uma necessidade que os povos têm para que sejam felizes e para que vivam sem sofrimento", declarou.

António José Seguro e Luís Montenegro participam pela primeira vez hoje e na quinta-feira na Cimeira Ibero-Americana.

Além de Espanha e Portugal, representados com o chefe de Estado e de Governo, estarão representados a esse nível Andorra (chefe de Governo), a Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Guatemala, Honduras e República Dominica, estando ausente o Presidente do Brasil, Lula da Silva.

As cimeiras ibero-americanas realizam-se a cada dois anos e Portugal propôs ser o anfitrião da de 2030, o que foi acolhido, sendo esse o encontro que se seguirá à cimeira de 2028, nas Honduras.

Compõem a comunidade ibero-americana três países europeus, Portugal, Espanha e Andorra, e 19 latino-americanos: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, México, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Cuba e República Dominicana.

A primeira cimeira desta comunidade realizou-se em 1991, em Guadalajara, México. Os encontros foram anuais até 2014, quando passaram a ser de dois em dois anos.